Paulo Veiga dá eleição por encerrada após votação no Fogo e promete “juntar todos” no MpD

13/09/2026 20:34 - Modificado em 13/09/2026 20:34

Paulo Veiga considera encerrada a disputa pela liderança do MpD. Numa declaração à imprensa divulgada este domingo, 13 de setembro, depois da votação no Fogo, o candidato afirma que a sua vitória ficou confirmada e promete agora transformar a campanha de trincheiras num partido de uma só casa: “Esta vitória não nos dá o direito de excluir ninguém. Dá-nos a responsabilidade de juntar todos.”

Paulo Veiga passou este domingo de candidato a “presidente eleito do MpD”, designação que já utiliza na comunicação divulgada após a votação nos círculos do Fogo.

O antigo ministro começou precisamente pela ilha, lembrando que os militantes foguenses foram os últimos a votar devido à tragédia que obrigou ao adiamento do escrutínio.

Segundo Veiga, a sua candidatura venceu também no Fogo, resultado que, na sua leitura, confirmou definitivamente a vitória alcançada no conjunto do processo eleitoral interno.

“Hoje ouvimos a sua voz, e ela completa aquilo que o resto do país e a diáspora já nos tinham dito”, escreveu.

Veiga revelou ainda ter recebido, pouco antes da declaração, um telefonema de um dos seus adversários na corrida, felicitando-o pelo resultado, gesto que aproveitou para sublinhar o tom de reconciliação que pretende imprimir à nova liderança.

“Não duas trincheiras para manter”

Depois de uma campanha marcada por forte disputa interna e, nos últimos dias, por polémicas em torno do apuramento do GAPE, Paulo Veiga optou agora por baixar as armas.

“Há um MpD só para reconstruir, não duas trincheiras para manter”, afirmou.

A mensagem é clara: vencida a eleição, Veiga não quer transformar os apoiantes de Herménio Fernandes ou Luís Filipe Tavares em oposição interna permanente.

“Não há vencedores que tenham tudo e vencidos que fiquem sem lugar”, escreveu, acrescentando que a vitória não foi “contra tudo e contra todos”.

A frase mais política da declaração talvez seja precisamente esta:

“Esta vitória não nos dá o direito de excluir ninguém. Dá-nos a responsabilidade de juntar todos.”

O dia seguinte começa amanhã

Paulo Veiga procura também afastar qualquer ideia de que a eleição interna seja um ponto de chegada.

Diz receber os votos “com orgulho”, mas sobretudo com “humildade” e “sentido de dever”, dirigindo uma palavra também aos militantes que não votaram na sua candidatura.

“A democracia não se faz apenas com aqueles que concordam connosco”, escreveu.

A partir daqui, diz querer um MpD capaz de voltar a merecer a confiança dos cabo-verdianos, depois da derrota nas últimas legislativas.

A nova liderança terá agora pela frente aquilo que costuma ser mais difícil do que ganhar eleições internas: juntar um partido que passou semanas a escolher lados e voltar a colocá-lo a falar para fora, e não apenas consigo próprio.

Paulo Veiga resume o desafio numa frase:

“Esta noite podemos celebrar, mas amanhã voltamos ao trabalho.”

E conclui: “As vitórias eleitorais pertencem a uma noite. A responsabilidade de estar à altura delas começa na manhã seguinte.”

Resta agora ao GAPE concluir formalmente o processo e apresentar os resultados definitivos e a respetiva homologação. Até lá, Paulo Veiga já fala e assina como presidente eleito do MpD.

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