
Ainda sem proclamação oficial do GAPE, dados recolhidos pelo Notícias do Norte junto de elementos das mesas de voto apontam Paulo Veiga como vencedor das eleições internas do MpD. A vantagem sobre o segundo classificado rondará os 800 votos. A votação no Fogo foi adiada devido à tragédia que atingiu a ilha.Ainda falta o comunicado.
Mas, salvo uma reviravolta nos números que estão a chegar das mesas, o MpD já tem novo presidente: Paulo Veiga.
Dados provisórios recolhidos pelo Notícias do Norte junto de elementos que acompanharam o apuramento nas mesas de voto apontam para uma vitória de Paulo Veiga, com uma diferença na ordem dos 800 votos sobre o segundo candidato mais votado.
O resultado ainda carece de confirmação e proclamação pelo Gabinete de Apoio ao Processo Eleitoral (GAPE) do MpD.
E há uma particularidade: o Fogo não votou. A Direcção Nacional decidiu suspender o escrutínio na ilha, na sequência do trágico acidente que provocou dezenas de vítimas e mergulhou a ilha em luto. A votação deverá realizar-se posteriormente. (Inforpress)
A previsão de Veiga cumpriu-se
Paulo Veiga chegou ao último dia de campanha dizendo estar convencido de que seria o novo presidente do MpD.
Não era apenas optimismo eleitoral.
A sua candidatura chegara à votação com uma implantação territorial superior às concorrentes: segundo dados divulgados durante o processo, apresentou listas de delegados em 30 círculos eleitorais, contra 23 de Herménio Fernandes e 13 de Luís Filipe Tavares. (O País)
Na Brava, um dos primeiros resultados conhecidos já apontava nessa direcção: Veiga obteve 74 votos contra 43 de Herménio Fernandes. (Bravanews)
Agora, os números que chegam das restantes mesas apontam para uma vantagem nacional suficientemente larga para colocar Paulo Veiga na liderança do partido.
Recebe um MpD que deixou de governar
Mas Paulo Veiga não ganha simplesmente uma eleição interna.
Herda uma derrota.
O MpD que recebe não é o partido que Ulisses Correia e Silva encontrou quando chegou à liderança e depois conduziu ao Governo.
É um MpD que perdeu as legislativas de 17 de Maio, regressou à oposição e entrou numa disputa interna para decidir não apenas quem manda na sede, mas sobretudo como regressar ao poder.
Veiga apresentou-se sob o lema “Uma Visão que Une”, prometendo devolver protagonismo às estruturas locais, aproximar o partido dos militantes e abrir espaço à juventude.
A partir de agora, a palavra mais difícil daquele slogan será precisamente “une”.
Porque ganhar uma eleição interna é contar votos.
Unir um partido depois dela é convencer também quem votou nos outros.
E Joana Rosa já está à espera
Paulo Veiga encontrará ainda uma curiosidade política à porta do gabinete.
A actual Direcção Nacional decidiu apoiar Joana Rosa nas eleições presidenciais de Novembro antes de os militantes escolherem o novo presidente.
Como o Notícias do Norte já analisou, a DN tinha competência estatutária para fazê-lo.
Mas politicamente o resultado é curioso.
Veiga recebe o partido e, juntamente com as chaves, recebe também uma candidata presidencial já escolhida.
Terá agora de transformar uma decisão tomada antes da sua eleição numa campanha conduzida sob a sua liderança.
Primeiro os números oficiais
O GAPE deverá confirmar os resultados definitivos do escrutínio.
Até lá, o Notícias do Norte trata os cerca de 800 votos de diferença como dados provisórios provenientes das mesas, e não como resultado oficial.
Mas os números disponíveis apontam numa direcção clara.
Paulo Veiga entrou nesta eleição dizendo que queria unir o MpD.
Os militantes parecem ter-lhe dado o partido.
Agora começa a parte mais difícil:
devolver-lhe o poder.