Editorial | Hoje é hora de chorar com o Fogo

6/09/2026 21:39 - Modificado em 6/09/2026 21:39
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Há momentos em que a palavra pesa. E há tragédias diante das quais até o jornalismo deve saber baixar a voz.

O acidente do Fogo é um desses momentos.

Hoje não é dia de procurar culpados. Não é dia de transformar a dor em tribunal, nem de fazer da tragédia matéria para acusações precipitadas. Haverá tempo para apurar responsabilidades, perceber o que aconteceu, tirar conclusões e exigir respostas. Esse tempo virá.

Hoje é hora de chorar e enterrar os nossos mortos.

É hora de estar com o Fogo, como Cabo Verde sempre esteve quando a ilha foi atingida pelas grandes catástrofes que marcaram a sua história. É hora de estar ao lado das famílias que perderam filhos, irmãos, pais, sobrinhos, amigos. É hora de rezar com quem reza, de abraçar quem precisa de abraço e de respeitar o silêncio de quem já não encontra palavras.

Choramos todos os que partiram. Mas há uma dor que nos atravessa de forma ainda mais funda: a das crianças. Crianças que saíram para um passeio e não voltaram para casa. Crianças cujas famílias ficaram, de repente, diante do vazio impossível de explicar.

Não há frase capaz de consolar uma mãe ou um pai que enterra um filho. Não há calendário que ensine a viver com essa ausência.

Amanhã não será outro dia.

A dor vai continuar a doer. Vai doer nas casas, nas escolas, nas ruas, nas famílias. Vai doer quando o silêncio ocupar o lugar de uma voz. Vai doer quando uma cadeira ficar vazia. E mesmo quando os anos passarem e a dor se transformar em lembrança, continuará a doer.

O Fogo está de luto.

E Cabo Verde está com o Fogo.

Hoje, mais do que explicar, é preciso estar presente.

Hoje, é preciso simplesmente chorar com quem chora.

Eduino Santos

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