Toyota Coaster de Campanas tinha lotação para 32 pessoas, mas transportava 39

6/09/2026 21:19 - Modificado em 6/09/2026 21:37

O Toyota Coaster envolvido no trágico acidente de Campanas, na ilha do Fogo, tinha lotação para 32 pessoas, mas transportava 39 ocupantes, segundo informações confirmadas pelo Notícias do Norte. O dado significa que a viatura seguia com sete pessoas acima da capacidade prevista.

O Coaster é um minibus conhecido pela robustez e pela utilização em transporte colectivo, turístico e de passageiros, sendo também um modelo bem adaptado a percursos exigentes e estradas de forte inclinação.

No Fogo, este tipo de viatura é utilizado com frequência em diferentes serviços, precisamente por se ter adaptado bem às condições orográficas da ilha.

A viatura sinistrada dispunha ainda de um sistema auxiliar de travagem para descidas acentuadas, vulgarmente conhecido como “travão de montanha”, destinado a ajudar a controlar a velocidade em estradas muito inclinadas e a reduzir a utilização contínua dos travões convencionais. Informação confirmada por Fausto do Rosário, que já fez esse trajeto várias vezes nesse mesmo minibus.

Mas há um ponto técnico importante: sobrelotação em número de passageiros não significa necessariamente excesso de peso.

Apesar de estar confirmada a presença de 39 ocupantes numa viatura com lotação para 32 pessoas, isso não permite concluir automaticamente que o Coaster circulava acima do peso bruto máximo admissível. Como a maioria dos ocupantes eram crianças e adolescentes, o peso total transportado poderá ter permanecido dentro dos limites técnicos do veículo.

A própria Toyota comercializa versões escolares do Coaster com capacidade para dezenas de crianças, demonstrando que número de ocupantes e peso transportado são conceitos diferentes.

No caso de Campanas, porém, isso não altera o essencial: se a viatura estava homologada para 32 pessoas, o transporte de 39 ocupantes representava uma sobrelotação de sete passageiros, independentemente de serem crianças ou adultos.

Só uma perícia técnica poderá determinar se, além da sobrelotação, existia também excesso de peso e que influência, se alguma, estes factores tiveram no acidente.

O balanço oficial permanece em 25 mortos e 14 feridos.

Agora, a investigação terá de esclarecer não apenas as condições da estrada e o funcionamento dos sistemas de travagem, mas também em que condições concretas uma viatura com capacidade para 32 pessoas transportava 39 numa estrada de montanha.

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