Tragédia no Fogo já fez 25 mortos. Equipa médica especializada chega à ilha e autoridades reforçam apoio às famílias

6/09/2026 13:26 - Modificado em 6/09/2026 13:26
Onda Kriolu

A ilha do Fogo acordou este domingo mergulhada numa das maiores tragédias rodoviárias de que há memória em Cabo Verde. O balanço oficial do despiste do autocarro que regressava de Chã das Caldeiras subiu para 25 mortos. Entre as vítimas estão sobretudo crianças, adolescentes e jovens.

O número de vítimas mortais do acidente ocorrido ao final da tarde de sábado, 5 de Setembro, na estrada entre Chã das Caldeiras e Campanas foi actualizado pelas autoridades às 07h50 deste domingo. O autocarro saiu da estrada e precipitou-se por uma encosta de cerca de 30 metros. O motorista está entre as vítimas mortais.

Segundo o Hospital Regional São Francisco de Assis, 19 crianças e adolescentes — oito raparigas e 11 rapazes — deram entrada no serviço de urgência. Cinco acabaram por morrer pouco depois de chegarem à unidade hospitalar, todos com traumatismo craniano, segundo o director clínico Dionísio Semedo.

A maioria dos passageiros era constituída por estudantes ligados aos agrupamentos de Curral Grande e Ponta Verde. As autoridades escolares já esclareceram que o passeio não foi organizado pelas escolas, mas era uma iniciativa particular promovida pelo motorista para alunos que transportava durante o ano lectivo.

Durante a madrugada, sete das vítimas mortais foram sepultadas em São Lourenço, devido ao estado em que se encontravam alguns dos corpos. Os restantes funerais deverão realizar-se ao longo deste domingo.

Reforço médico chega da Praia
Perante a dimensão da tragédia, o Governo deslocou para o Fogo uma equipa médica multidisciplinar, integrando cirurgiões, neurocirurgião, ortopedista e outros especialistas. A equipa deverá reforçar a capacidade do Hospital Regional e avaliar a eventual transferência para a Praia dos doentes que necessitem de cuidados diferenciados.

O primeiro-ministro, Francisco Carvalho, deslocou-se igualmente à ilha acompanhado por membros do Governo. O Presidente da República, José Maria Neves, anunciou também uma visita de emergência ao Fogo para acompanhar a situação e manifestar solidariedade às famílias atingidas pela tragédia.

A ministra da Família e Inclusão Social determinou, entretanto, a criação de um gabinete de apoio psicológico, com psicólogos e assistentes sociais, destinado às famílias das vítimas.

As causas do despiste permanecem por esclarecer e deverão agora ser objecto de investigação pelas autoridades competentes.

O balanço, neste momento, é de 25 mortos. Uma noite que transformou um passeio a Chã das Caldeiras numa tragédia que deixou o Fogo — e Cabo Verde — de luto.

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