Presidenciais2026: Janine Lélis retira candidatura devido a “tensões institucionais e partidária e crescente polarização”

14/08/2026 12:44 - Modificado em 14/08/2026 12:44

A ex-ministra e deputada Janine Lélis anunciou hoje a sua desistência da corrida às próximas eleições presidenciais, alegando “tensões institucionais e partidária e uma crescente polarização” do debate público, com reflexos na atitude do eleitorado.

De acordo com um comunicado a que a Inforpress teve acesso, Janine Lélis afirma que a decisão foi tomada há cerca de dois meses depois de ter manifestado a sua disponibilidade para entrar na corrida presidencial. 

“Há quase dois meses, quando manifestei a minha disponibilidade para ser candidata à Presidência da República, fi-lo com a convicção de que, numa democracia como a cabo-verdiana, uma eleição presidencial deve oferecer aos cidadãos uma escolha efetiva entre diferentes perfis, percursos e visões sobre o exercício da mais alta magistratura do Estado” manifestou Janine Lélis.

Segundo a mesma fonte, no mês de Junho tudo levava a crer que iria repetir-se o padrão de não se ter candidato com suporte político alargado para enfrentar o Presidente da República incumbente.

A candidata recorda que a sua decisão surgiu depois de mais 20 anos de percurso político, incluindo funções no poder local, como deputada da Nação e com dez anos como ministra de várias pastas.

A sua intenção, conforme sublinhou. era dar o seu contributo neste processo “tão essencial para o país”, o que permitiria aos cabo-verdianos terem possibilidade não só de avaliar o que tem sido o exercício do cargo de Presidente da República, como também pronunciar-se sobre o perfil que consideram mais adequado para garantir o regular funcionamento das instituições.

“Cumprir e fazer cumprir a Constituição da República”, vincou.

Entretanto, Janine Lélis disse que o quadro das eleições presidenciais evolui “de forma significativa” com o surgimento de outras candidaturas, situação que considera positiva. 

Mas, ao mesmo tempo, disse entender que o quadro político também “sofreu alterações substanciais”, marcado por tensões institucionais e no interior dos partidos, bem como por “uma crescente polarização” do debate público, com reflexos na atitude do eleitorado.

“Perante estes constrangimentos de natureza política, institucional e partidária, que alteraram de forma significativa as condições para uma participação presidencial nos termos que considero adequados, decidi não prosseguir na disputa das próximas eleições para Presidente da República”, afirmou.

Na mesma comunicação, Janine Lélis agradeceu a todos os que desde o primeiro momento acreditaram na sua disponibilidade para se candidatar e viram nessa decisão um contributo válido para o fortalecimento da democracia cabo-verdiana.

Janine Lélis, no entanto, disse que a sua desistência não diminui o seu compromisso com Cabo Verde, e que continua a servir os cabo-verdianos no exercício do seu mandato como deputada da Nação, a defender a democracia e o Estado de Direito.

Com a retirada da ex-ministra Janine Lélis, ao momento, manifestaram publicamente a intenção de concorrer Joana Rosa, Casimiro de Pina, Milton Paiva, Gilson Alves, Péricles Tavares e Fernando Delgado.

Hélio Sanches, que também anunciou a intenção de se candidatar, desistiu da corrida, alegando falta de condições políticas no seio do Movimento para a Democracia (MpD).

O actual Presidente da República, José Maria Neves, ainda não confirmou se será candidato, afirmando que a sua prioridade continua a ser o exercício do mandato.

Inforpress

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