EUA ameaçam deixar a Ucrânia de mãos a abanar depois de promessa que podia mudar a guerra

31/07/2026 16:15 - Modificado em 31/07/2026 16:15
Volodymyr Zelensky e Donald Trump (Alex Brandon/AP) © CNN Portugal

Aquilo que a Ucrânia acenou como uma grande vitória pode, afinal, não ser bem assim. O presidente dos Estados Unidos ainda não decidiu se vai mesmo permitir que Kiev produza os importantes mísseis Patriot, grande parte do segredo da defesa do país desde que a Rússia lançou a invasão.

Em entrevista telefónica com o Financial Times, Donald Trump sublinhou que não tem “a certeza” se a Casa Branca vai mesmo conceder a licença à Ucrânia, pelo que Kiev pode ficar de mãos a abanar.

“Estamos a analisar isso”, referiu, falando sobre os mísseis intercetores terra-ar, arma crucial na deteção e no abate dos mísseis que a Rússia lança contra a Ucrânia.

“É uma arma extraordinária e temos de ter muito cuidado a quem a licenciamos. Na verdade não licenciamos equipamento”, acrescentou.

Um aviso que surge apenas dois dias depois de um encontro com o presidente da Ucrânia em plena Casa Branca. A reunião entre os dois acabou sem grandes anúncios, mas Volodymyr Zelensky tinha feito uma publicação a referir uma “boa” conversa, incluindo sobre a “produção de intercetores Patriot e muitas outras ideias”.

Mais concreto depois da publicação que fez nas redes sociais, o presidente da Ucrânia afirmou que os Estados Unidos “aceitaram que vão dar-nos as licenças”.

Volodymyr Zelensky chegou mesmo a dizer que já se tinha encontrado com responsáveis pela produção dos mísseis. “Tive uma reunião com os representantes da produção… Espero que possamos fazer co-produção. Isto é muito importante”, sublinhou, referindo-se às empresas Lockheed Martin e RTX, ambas produtoras deste tipo de armamento.

Mas nesta conversa com o Financial Times, Donald Trump pareceu menos interessado em armas e mais interessado em diálogo. “É muito simples, queremos que a guerra entre a Ucrânia e a Rússia acabe. Não estou à procura de mísseis. Estamos à procura de paz”, reiterou, referindo que os seus enviados-especiais devem continuar em breve os esforços diplomáticos para aproximar as partes.

O presidente dos Estados Unidos tinha anunciado ainda no início deste mês, por ocasião da cimeira da NATO na Turquia, que a licença ia ser concedida à Ucrânia, o que foi visto como uma grande vitória para o país que tenta resistir aos intentos de Vladimir Putin.

Agora, tudo isto parece não ser bem assim e a Ucrânia pode mesmo acabar de mãos a abanar, arriscando-se a perder um ganho que podia ser decisivo na continuação da sua resistência e na forma como ela é feita.

CNN Portugal

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