‘Braço direito’ de Infantino demite-se. Presidência da FIFA por um fio

31/07/2026 16:13 - Modificado em 31/07/2026 16:13

“Não posso manter-me impávido enquanto a FIFA considera vender uma parte do Mundial”, afirma Carlos Cordeiro, conselheiro sénior de Gianni Infantino, sendo esta a primeira consequência do tão badalado plano da FFE.

U.S. President Donald Trump, from right, shakes hands with Gianni Infantino, president of FIFA, as Carlos Cordeiro, president of the United States Soccer Federation, watches in the Oval Office of the White House in Washington, D.C., U.S., on Tuesday, Aug. 28, 2018. The 2026 FIFA World Cup will be held in the United States, Canada, and Mexico. Photographer: Al Drago/Bloomberg via Getty Images
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Carlos Cordeiro apresentou, ao final da manhã desta sexta-feira, a demissão do cargo de conselheiro sénior de Gianni Infantino, na sequência do tão badalado plano da FIFA Forward Enterprise (FFE), subsidiária que seria aberta a investimento privado e que teria como objetivo concentrar as operações comerciais das provas organizadas pelo organismo, entre elas, o Campeonato do Mundo.

“Enquanto conselheiro sénior do presidente da FIFA, um antigo banqueiro e um adepto vitalício do futebol, não posso manter-me impávido enquanto a FIFA considera vender uma parte do Mundial. Deixem-me ser claro: não tive qualquer envolvimento nesta proposta, e oponho-me inequivocamente à mesma. É um mau negócio para as federações-membro da FIFA, um mau negócio para o futebol e um mau negócio para o futuro a longo-prazo da modalidade”, alertou, em comunicado.

O antigo presidente da Federação de Futebol dos Estados Unidos da América (USSF) não hesitou, de resto, em apelar ao ‘chumbo’ desta iniciativa: “O futebol tem sido central na minha vida, e, depois de mais de 35 anos na banca, percebi, tanto o valor deste ativo, como as consequências de abrir mão de parte dele. É por isso que esta proposta deve ser rejeitada”.

“A FIFA já tem acesso a recursos financeiros extraordinários. A organização detém milhares de milhões em reservas, e nenhuma dívida. O próprio presidente da FIFA enalteceu os 15 mil milhões de dólares em receitas gerados entre 2022 e 2026. Se as federações-membro acreditam que é necessário um investimento adicional para desenvolver a modalidade, a FIFA já tem a capacidade financeira para dar esse apoio a partir dos seus recursos existentes”, pode ler-se.

“Contra esse cenário, vender uma parte permanente do maior ativo do futebol para angariar 4,2 mil milhões de dólares faz pouco sentido. Seria hipotecar o futuro do futebol sem qualquer justificação convincente. Tamanho sucesso económico não foi acidental. Surgiu de profissionais de futebol experientes, que estilhaçaram os recordes comerciais da FIFA. No entanto, apesar desses feitos, é pedido, agora, à FIFA que acredite que investidores de fora são necessários para desbloquear mais-valias”, prossegue.

“As pessoas que construíram este sucesso já demonstraram que a FIFA possui a experiência para continuar a fazer crescer, tanto a modalidade, como o seu futuro comercial. O mais preocupante de tudo é a ausência de respostas a questões fundamentais. Por quê este acordo? Por quê agora? Que supervisão existe? Quem beneficia? Houve um processo competitivo? Que governação estará em curso? O que irão os investidores ganhar, no final, e a que custo para o futebol?”, completou.

“A responsabilidade da FIFA não é maximizar os retornos financeiros a qualquer custo”

Carlos Cordeiro sublinha que “está a ser pedido às federações-membro que tomem uma decisão de enormes consequências em menos de 50 dias ou arrisquem ser deixadas para trás”, algo que considera não ser “uma maneira responsável de determinar o futuro do futebol mundial”, até porque se trata de “uma questão que definirá o futuro” da própria FIFA.

“Após cuidadosa consideração, não posso mais continuar o meu papel enquanto conselheiro sénior do presidente da FIFA. Demiti-me, nesse sentido, com efeitos imediatos. A responsabilidade da FIFA não é maximizar os retornos financeiros a qualquer custo. É proteger e fortalecer o futebol para gerações futuras. Quando esses princípios entram em conflito, o futebol deve vir em primeiro lugar”, justificou.

“Foi o privilégio de uma vida servir a FIFA por mais de cinco anos e trabalhar ao lado de pessoas dedicadas, com princípios, que se preocupam profundamente com a modalidade. Espero que também elas falem, porque decisões desta magnitude deveriam ser tomadas com base nos interesses do futebol, e não daqueles que pretendem lucrar com ele”, concluiu.

MSN

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