Depois de parar a Espanha, conquistar o Brasil e transformar-se numa das figuras do Mundial, o guarda-redes cabo-verdiano aparece agora na onda promocional do Homem-Aranha. A Belavista começa a ficar pequena para tanta fama.
Por: Eduino Santos

Vozinha começou o Mundial como guarda-redes de Cabo Verde. Depois virou herói. Depois fenómeno das redes sociais.
Depois apareceram máscaras com a cara dele nas bancadas dos Estados Unidos. O *ge* brasileiro registou essa transformação depois da exibição frente à Espanha, quando o cabo-verdiano passou de jogador de uma seleção estreante a celebridade do Mundial.
Agora chegou a vez do cinema.
O nome e a imagem de Vozinha entraram no universo promocional ligado ao **Homem-Aranha**, aproveitando uma coincidência que Hollywood dificilmente deixaria escapar: se existe um guarda-redes neste Mundial que parece ter adquirido poderes para impedir bolas de entrar na baliza, o candidato estava encontrado.
Primeiro Messi. Agora Vozinha
A ligação entre o Mundial e o Homem-Aranha já vinha sendo explorada durante a competição. Lionel Messi chegou a protagonizar uma ação promocional com Tom Holland, o ator que interpreta Peter Parker/Homem-Aranha no cinema. A campanha chamou atenção da imprensa brasileira, que brincou precisamente com a transformação de Messi em personagem daquele universo.
Só que o Mundial resolveu escrever o seu próprio argumento. E apareceu Vozinha.
O guarda-redes de Cabo Verde tornou-se uma das grandes revelações mediáticas da competição. Antes do encontro com a Argentina, a imprensa internacional já apresentava o duelo como Messi contra Vozinha: a maior estrela do futebol mundial frente ao guarda-redes que se transformara na sensação inesperada do torneio.
Convenhamos.
Para o marketing, estava servido.
O Homem-Aranha da Bela Vista
A brincadeira quase se escreve sozinha. Homem-Aranha escala paredes. Vozinha voa entre os postes. Um lança teias. O outro parece ter colocado uma sobre a baliza de Cabo Verde. E pensar que tudo começou na Bela Vista, em São Vicente.
Não houve picada de aranha radioativa. Pelo que sabemos, pelo menos. Houve futebol, persistência e uma oportunidade no maior palco desportivo do planeta.
O resto foi o Mundial.
O fenómeno já ultrapassou o futebol
É precisamente aqui que esta história deixa de ser apenas divertida. Há poucas semanas escrevíamos sobre a dimensão internacional que Cabo Verde ganhou com este Mundial.
Vozinha talvez seja a expressão mais evidente desse fenómeno. Já vimos crianças brasileiras dormirem abraçadas a bonecos feitos à sua imagem.
Vimos adeptos levarem máscaras do guarda-redes para os estádios. Vimos jornais estrangeiros contarem a sua história. E agora o entretenimento percebeu aquilo que o futebol descobriu primeiro:
Vozinha tornou-se uma personagem. Não criada num gabinete de marketing. Criada dentro das quatro linhas.
Hollywood que se cuide
Há pouco tempo, para explicar a um estrangeiro quem era Vozinha, provavelmente seria necessário começar por explicar onde ficava Cabo Verde.
Agora talvez aconteça o contrário.
— Cabo Verde?
— Ah, o país do Vozinha!
É difícil imaginar campanha de promoção internacional mais eficaz. Cesária Évora levou Cabo Verde aos grandes palcos da música.
Os Tubarões Azuis levaram-no ao Mundial. E Vozinha, aparentemente, decidiu continuar viagem.
Depois da FIFA, das televisões internacionais e das redes sociais, chegou ao território dos super-heróis.
A Marvel pode ficar descansada. Por enquanto, ele continua dedicado à baliza.
Mas se precisarem de alguém para defender Nova Iorque, já sabemos onde procurar