Durante muitos anos disseram aos pequenos que o importante era participar.

Depois disseram-lhes que o importante era sair de cabeça levantada. Cabo Verde mostrou que há uma terceira via: Competir.
Não pediu à Argentina que tivesse pena. Não entrou em campo para trocar camisolas. Nem para colecionar fotografias com Messi. Entrou para discutir o jogo.
Para obrigar a campeã do mundo a pensar. Para lhe criar problemas. Para a fazer trabalhar até ao último minuto.E conseguiu.
A eliminação dói. Tem de doer. Porque esta seleção já não aceita vitórias morais. Mas há uma certeza que fica deste Mundial.
Durante quatro jogos, Bubista desenhou quatro planos tácticos diferentes. Cada um adaptado ao adversário. Cada um executado com uma disciplina quase irrepreensível. E talvez seja essa a maior notícia que Cabo Verde leva para casa.
Os Tubarões Azuis já não vivem apenas do talento dos seus jogadores.
Passaram a viver também da inteligência do seu futebol. E quando uma pequena seleção consegue juntar organização, identidade e ambição, deixa de ser uma surpresa.
Transforma-se numa referência. Foi isso que Cabo Verde fez neste Mundial.
Perdeu um jogo.
Mas saiu do torneio tendo conquistado algo muito mais difícil: o respeito do futebol mundial dentro das quatro linhas.