Nacional feminino de voleibol adiado gera contestação: treinador da Uni Mindelo fala em “desrespeito e falta de organização”

28/06/2026 13:41 - Modificado em 28/06/2026 13:41

A decisão, justificada por “motivos internos” sem maior detalhamento, está a gerar forte contestação no seio dos clubes participantes. Segundo informações apuradas por este online, a próxima data deverá ser entre finais de agosto e inicio de Setembro.

Foto: Tatu Fotografo – Associação Desportiva da Universidade do Mindelo (ADUM)

O Campeonato Nacional de Voleibol Feminino, inicialmente agendado para decorrer entre 1 e 5 de julho em Santo Antão, foi adiado para um período ainda indefinido, apontado apenas como finais de agosto ou início de setembro.

O treinador da Associação Desportiva da Universidade do Mindelo (ADUM), Orazio Minneci, recebeu a comunicação com preocupação e não escondeu a sua frustração, criticando a ausência de uma data concreta e o impacto que a incerteza está a ter na preparação das equipas.

Segundo o técnico, em entrevista a Televisão de Cabo Verde, a indefinição compromete não só o planeamento desportivo, mas também a vida pessoal e profissional das atletas, muitas das quais conciliam o voleibol com trabalho, estudos e compromissos familiares. “Temos meninas que trabalham, que estudam, que viajam com a família e não sabem se podem tirar férias ou não. Isto não é justo para ninguém”, sublinhou.

Minneci aponta ainda que a situação não afeta apenas a ADUM, mas várias equipas já apuradas para a fase nacional, referindo pelo menos três ou quatro formações na mesma condição de incerteza. Para o treinador, a ausência de calendário compromete a equidade competitiva e a justiça desportiva, uma vez que as equipas podem não apresentar as suas melhores condições na altura da competição.

O técnico vai mais longe e critica aquilo que considera ser uma falta de organização estrutural no voleibol nacional. Com 25 anos de experiência em Cabo Verde, afirma que problemas semelhantes se repetem ao longo dos anos. “Isto não é de agora. Sempre aconteceu e tem de mudar”, afirmou.

Entre as preocupações levantadas está também o impacto psicológico nas atletas. Orazio Minneci refere que a indefinição afeta a motivação e a preparação diária das jogadoras, dificultando até à realização dos treinos. “Tínhamos treino de preparação, mas com esta situação, com que atitude é que as atletas vêm treinar?”, questiona.

O treinador critica ainda a sobreposição de competições e eventos desportivos no calendário nacional, o que, segundo ele, agrava a falta de espaço para uma planificação coerente da época.

Defende que o modelo atual reflete “amadorismo” e falta de respeito pelos atletas.

“É preciso mais respeito, consideração e organização. São as atletas que fazem o campeonato, não os dirigentes”, afirmou, defendendo mudanças profundas na forma como as competições são geridas.

Minneci admite que a situação é desgastante e levanta dúvidas sobre a continuidade do atual modelo competitivo, sublinhando que a falta de previsibilidade compromete não só o rendimento desportivo, mas também o futuro das jovens atletas.

NN

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