
De acordo com o Relatório Anual de Atividades de 2025, o Tribunal Constitucional de Cabo Verde tramitou um total de 165 processos durante o ano, resultado dos 97 processos transitados de 2024 e de 68 novas entradas registadas em 2025. No mesmo período, foram proferidas 141 decisões, entre as quais 130 acórdãos, dois pareceres e nove decisões sumárias.
No final do ano, foram concluídos 88 processos, permitindo reduzir o número de pendências para 77 processos transitados para 2026. O resultado representa uma diminuição superior a 20% face ao ano anterior e permitiu atingir a meta previamente estabelecida de redução das pendências entre 20% e 30%.
Segundo o Tribunal, estes números confirmam a continuidade dos esforços para aumentar a capacidade de resposta da instituição e garantir maior celeridade processual.
Os Recursos de Amparo Constitucional mantiveram-se como a principal via de acesso dos cidadãos à justiça constitucional. Em 2025, esta espécie processual registou 76 processos tramitados e 92 decisões proferidas.
Conforme o documento foram concluídos 50 processos de amparo, reduzindo as pendências de 37 para 26 processos, o que corresponde a uma diminuição próxima dos 30%.
Outro destaque vai para a Fiscalização Concreta da Constitucionalidade, que contabilizou 44 processos tramitados, 18 decisões proferidas e 13 processos concluídos. O Tribunal sublinha a importância deste mecanismo no controlo da constitucionalidade das normas aplicadas pelos tribunais comuns e na garantia da supremacia da Constituição.
No conjunto, os diversos mecanismos de fiscalização da constitucionalidade continuaram a desempenhar um papel central na atividade jurisdicional da instituição, contribuindo para a proteção da ordem constitucional e para o fortalecimento do Estado de Direito Democrático.
No plano internacional, 2025 ficou marcado pelo reforço da presença de Cabo Verde nos principais fóruns de justiça constitucional.
O Tribunal Constitucional assumiu a Presidência do Bureau (Comité Executivo) da Conferência Mundial de Justiça Constitucional, organização que reúne cerca de 120 jurisdições constitucionais de todo o mundo. Nesta qualidade, presidiu à reunião do órgão realizada em Madrid, Espanha.
Paralelamente, manteve a liderança da Conferência de Jurisdições Constitucionais dos Países de Língua Portuguesa (CJCPLP), promovendo iniciativas como um seminário temático em Luanda, realizado em parceria com o Tribunal Constitucional de Angola, e uma reunião extraordinária da organização durante o Congresso Mundial de Justiça Constitucional.
O relatório identifica igualmente vários desafios institucionais para os próximos anos. Entre os avanços alcançados, destaca-se a aprovação, em dezembro de 2025, do Plano de Cargos, Funções e Remunerações (PCFR) do pessoal oficial de justiça, considerado um passo importante para a valorização dos recursos humanos.
Contudo, o Tribunal considera prioritária a implementação da nova orgânica da Secretaria e do Serviço de Assessoria, bem como a conclusão do PCFR para o restante pessoal da instituição. Estas medidas são vistas como essenciais para reforçar a capacidade operacional e preservar o conhecimento acumulado ao longo da primeira década de funcionamento do órgão.
O documento volta ainda a sublinhar a necessidade de uma sede própria, adequada às exigências da jurisdição constitucional e à relevância institucional do Tribunal enquanto órgão de soberania.
Na mensagem que acompanha o relatório, o Presidente do Tribunal Constitucional, o Juiz-Conselheiro José Pina Delgado, classificou 2025 como um ano de consolidação dos resultados alcançados e de reforço da participação internacional da instituição.
O responsável reafirmou o compromisso do Tribunal com a defesa da Constituição, a proteção dos direitos fundamentais, a transparência e o fortalecimento do Estado de Direito Democrático.
Para 2026, o coletivo de juízes estabeleceu metas ainda mais ambiciosas, prevendo uma redução das pendências entre 30% e 40% do total de processos existentes, a ser concretizada ao longo do ano civil, numa média trimestral entre 7,5% e 10%.
NN