
A Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) foi distinguida com o prémio internacional «Team Player 11+», tornando-se na primeira vencedora desta distinção criada para reconhecer organizações que contribuem para o desenvolvimento sustentável do futebol.
O anúncio foi feito a 28 de maio de 2026 e surge numa altura particularmente marcante para o futebol cabo-verdiano, depois da histórica qualificação da seleção nacional para o Campeonato do Mundo FIFA de 2026, a primeira presença de sempre de Cabo Verde na maior competição de futebol do planeta.
O troféu atribuído à FCF é uma escultura intitulada «Futebolistas disputando a bola», da autoria do escultor modernista português Miguel Fernando Lopes, conhecido artisticamente como Milo. A peça será entregue ao presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo.
A cerimónia de entrega do prémio foi conduzida por Sergey Demensky, doutor em Filosofia, diretor executivo do Eurasian Media Group e membro do Conselho Editorial Internacional da publicação «Za Rubezhom». Durante o evento, destacou a importância crescente do trabalho desenvolvido fora das quatro linhas.
Segundo Demensky, o futebol moderno já não depende apenas do desempenho dos jogadores em campo. O sucesso das equipas é cada vez mais resultado do trabalho conjunto de dirigentes, treinadores, academias, analistas, investidores e especialistas responsáveis pela gestão e desenvolvimento das estruturas desportivas.
Criado em 2025, o prémio «Team Player 11+» assinala os 95 anos da publicação «Za Rubezhom», os 25 anos do Eurasian Media Group e a aproximação do Mundial FIFA 2026. A iniciativa pretende reconhecer organizações que desenvolvem modelos sólidos de crescimento do futebol, apostando na formação, inovação, gestão eficiente e sustentabilidade.
“Por trás de qualquer grande conquista existe sempre um sistema inteiro de pessoas, instituições e decisões estratégicas. Queremos distinguir aqueles que não constroem apenas vitórias momentâneas, mas modelos sustentáveis para o futuro do futebol”, afirmou Sergey Demensky.
A primeira edição reuniu sete finalistas de diferentes regiões do mundo. Entre eles estiveram a Associação de Futebol do Uzbequistão, a Federação Cabo-verdiana de Futebol, a academia do FC Kairat, do Cazaquistão, o Flamengo, do Brasil, as Ligas Profissionais Australianas, a academia do River Plate, da Argentina, e o Benfica, de Portugal.
De acordo com os organizadores, cada um dos candidatos apresentou exemplos de sucesso em áreas como a formação de jovens talentos, desenvolvimento de academias, fortalecimento das seleções nacionais e criação de modelos financeiros sustentáveis.
Maria Belyakova destacou que o futebol contemporâneo exige cada vez mais investimento na formação, inovação tecnológica e desenvolvimento institucional.
“Os clubes e federações que evoluem são aqueles que investem no seu próprio crescimento. Hoje, as vitórias são construídas por uma equipa muito maior do que os onze jogadores que entram em campo”, afirmou.
O júri internacional, composto por especialistas da Rússia, países da Comunidade dos Estados Independentes, América Latina e China, avaliou não apenas os resultados desportivos, mas também a capacidade das organizações criarem modelos replicáveis e sustentáveis.
No caso de Cabo Verde, a distinção foi atribuída após a campanha histórica que garantiu a qualificação para o Mundial FIFA 2026. A seleção nacional terminou no primeiro lugar do seu grupo de qualificação africana, superando os Camarões e assegurando o apuramento com uma vitória por 3-0 frente à seleção de Essuatíni.
Para os membros do júri, o sucesso cabo-verdiano demonstra que, no futebol atual, a dimensão geográfica ou populacional de um país já não é o único fator determinante.
Segundo Marat Isabayev, o mais importante é criar condições adequadas para que os talentos possam crescer e desenvolver todo o seu potencial.
“O futebol sempre dependeu de jogadores talentosos, mas é fundamental criar à sua volta um ambiente capaz de apoiar o seu crescimento e evolução”, sublinhou.
A cerimónia decorreu a poucos meses do Campeonato do Mundo FIFA 2026, que será disputado nos Estados Unidos, Canadá e México.
Durante o encontro, os participantes defenderam um futebol mais inclusivo, capaz de criar oportunidades para países emergentes, clubes de menor dimensão e jovens jogadores provenientes de contextos menos favorecidos.
Lorenzo de Chosica destacou a necessidade de tornar o futebol mundial mais acessível e equilibrado.
“As oportunidades devem ser mais justas para todos. Nenhum talento deve ficar pelo caminho por falta de recursos. O futebol deve continuar aberto a todos aqueles que estão dispostos a trabalhar e evoluir”, afirmou.
Os organizadores anunciaram ainda que o prémio «Team Player 11+» passará a ser atribuído anualmente. A distinção pretende reconhecer clubes, federações, academias e projetos que contribuam para transformar o futebol não apenas dentro de campo, mas também nas áreas da governação, formação, gestão, economia e desenvolvimento de talentos.
A conquista da Federação Cabo-verdiana de Futebol representa mais um reconhecimento internacional do crescimento sustentado do futebol nacional e reforça a visibilidade de Cabo Verde no panorama desportivo mundial.
Fundado em 2001, o Eurasian Media Group reúne vários projetos de comunicação, entre os quais o portal analítico «Eurasia Today», a publicação digital «Za Rubezhom», a Agência de Informação do Cáspio e o centro multimédia internacional «Eurasia Today».
A publicação «Za Rubezhom», criada em 1930 pelo escritor russo Maxim Gorky, é atualmente uma plataforma digital dedicada à cobertura de temas internacionais, culturais e científicos