
O voleibol de praia em Cabo Verde está a entrar numa fase de maior ambição competitiva, com dirigentes e treinador nacional a defenderem uma mudança de mentalidade que coloca o foco no trabalho individual dos atletas como principal motor de desenvolvimento da modalidade.
Após a realização da primeira etapa do Campeonato Nacional de Voleibol de Praia, que aconteceu nos dias 22 e 24 de maio, o presidente da Federação Cabo-verdiana de Voleibol sublinhou que o crescimento da disciplina não deve ser entendido como responsabilidade exclusiva das estruturas federativas ou associativas, mas sim como resultado direto do compromisso dos próprios jogadores.
“O sucesso não depende da Federação nem das associações, mas sim dos atletas”, afirmou, defendendo uma maior profissionalização e investimento pessoal na preparação física e técnica.
O António “Tchey” Rodrigues destacou ainda a evolução do circuito nacional, que passou de uma para três etapas anuais, considerando este aumento um sinal claro de expansão da modalidade no país. A ambição, segundo referiu, é continuar a reforçar o calendário competitivo nos próximos anos.
Ao mesmo tempo, lamentou o baixo rendimento de algumas regiões, com especial atenção a São Vicente, defendendo uma aposta mais séria no treino local para evitar o agravamento do fosso competitivo.
Outro ponto salientado prende-se com a necessidade de maior participação dos atletas cabo-verdianos nas competições internacionais realizadas no país e fora dele, numa altura em que Cabo Verde começa a ganhar reconhecimento como destino de eventos do circuito mundial, beneficiando de condições naturais, clima e hospitalidade.
No plano técnico, o seleccionador nacional, Márcio Araújo, reforça a ideia de evolução, afirmando que o nível do voleibol cabo-verdiano melhorou significativamente nos últimos dois anos, tanto no sector masculino como feminino. O técnico brasileiro sublinha que o trabalho desenvolvido já começa a produzir resultados visíveis, fruto de treinos intensivos e da adaptação dos atletas a uma metodologia exigente.
“É um processo”, defendeu o treinador, lembrando que o sucesso internacional não acontece de forma imediata.
Márcio Araújo apontou ainda diferenças de desenvolvimento entre atletas das várias ilhas, motivadas por limitações de tempo e condições de treino, defendendo a criação de núcleos locais de formação e a descentralização da metodologia da selecção nacional.
A aposta passa por formar treinadores e técnicos em todo o arquipélago, permitindo uma base mais sólida para o futuro.
Entre os projectos em preparação está a iniciativa “Voleibol na Minha Cidade”, que deverá ser implementada em várias ilhas com o objectivo de captar novos talentos e reforçar a base de praticantes.
NN