Camisolas da Seleção rendem… mas não à Federação de Futebol: oportunidade perdida no pré-Mundial

1/05/2026 12:22 - Modificado em 1/05/2026 12:22

A qualificação de Cabo Verde para o Mundial de 2026 deveria ter sido o ponto de partida para uma estratégia sólida de valorização da marca “Tubarões Azuis”. No entanto, mais de seis meses depois da quilificação a 13 de outubro de 2026, a Federação Cabo-verdiana de Futebol (FCF) continua sem capitalizar uma das fontes de receita mais óbvias: o merchandising oficial.

Nas ruas, nos aeroportos e até em voos internacionais, a camisola da seleção tornou-se presença constante. Um passageiro que viajou recentemente do Sal para Lisboa relata que “mais de metade do avião, entre crianças e adultos, vestia a camisola de Cabo Verde”. O problema? A esmagadora maioria desses equipamentos não é oficial — e, por isso, não gera qualquer receita para a Federação.

De acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE), Cabo Verde recebeu cerca de 1,2 milhões de turistas em 2025. Se apenas 20% desses visitantes adquirirem uma camisola, ao preço médio de 1.200 escudos (valor praticado por réplicas não oficiais), conforme escreveu nas redes sociais um adepto, o volume de negócios pode ultrapassar os 300 milhões de escudos. Um montante significativo que, atualmente, escapa quase na totalidade à FCF.

Nas redes sociais, as críticas multiplicam-se. Um utilizador conta que tentou adquirir uma camisola oficial para oferecer a um cliente estrangeiro, mas acabou por receber uma resposta inesperada: “Liguei para um amigo na Federação a perguntar onde podia comprar uma camisola oficial… e ele disse-me: ‘melhor ires ao chinês’.”

Outro comentário destaca a ausência de pontos de venda durante eventos recentes nas cidades do país Praia: “Durante o AME e o Kriol, as pessoas procuravam camisolas e perguntavam onde comprar. Não vi nenhum stand da Federação. Quem vem por poucos dias não vai andar à procura da sede — e com o risco de não encontrar nada.”

A crítica central prende-se com a falta de visão estratégica. Para muitos, a Federação falhou em aproveitar o “momentum” criado pela qualificação histórica. “O país devia estar cheio de lojas pop-up da FCF e postos de venda autorizados. Não é por falta de tempo”, lê-se numa publicação amplamente partilhada.

Há também sugestões concretas. Alguns defendem a criação de uma linha de “réplicas oficiais” mais acessíveis, permitindo atingir diferentes segmentos de mercado sem comprometer a autenticidade do produto.

“Se só houver camisolas a 5.000 escudos, dificilmente os cabo-verdianos vão comprar. Uma versão mais barata, mas oficial, garantiria receitas para a Federação e maior inclusão”, argumenta um internauta.

Recentemente, foi anunciado que a Fundação de Caridade dos Chineses e Ultramarinos de Cabo Verde irá produzir e comercializar réplicas oficiais do equipamento da Seleção Nacional, ao abrigo de um acordo com a FCF.

A medida surge como tentativa de responder à procura, mas também levanta questões sobre a dependência externa num mercado que poderia ser explorado diretamente pela Federação.

Num contexto pré-Mundial, em que a visibilidade internacional de Cabo Verde está em crescimento, o merchandising desportivo representa mais do que uma fonte de receita: é uma ferramenta de promoção do país e de reforço da identidade nacional.

Para muitos adeptos, o cenário atual é claro: enquanto a procura cresce, a Federação continua a ver escapar, entre os dedos, um negócio milionário, deixando o lucro nas mãos de terceiros e adiando uma oportunidade estratégica que dificilmente se repetirá com a mesma força.

NN

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