Tripulação Retida no Mindelo: Seis Meses Depois, Salários em Falta e Solução à Espera

25/04/2026 14:25 - Modificado em 25/04/2026 14:27

Doze trabalhadores estrangeiros permanecem a bordo de embarcação arrestada, sem receber há um ano. A venda do navio é apontada como única saída. São seis indonésios e seis angolanos. Estes homens estão retidos a bordo do “Novo Ruivo”, um navio de pesca de atum com bandeira de Portugal.

Navio Novo Ruivo em Mindelo, São Vicente.

Seis meses depois da retenção judicial de um navio de pesca no porto do Mindelo, o tempo não resolveu o problema.

Apenas o prolongou.

A bordo, 12 trabalhadores continuam à espera. De salários, de uma solução, e de um regresso que teima em não chegar.

Segundo informações avançadas pela Lusa, os trabalhadores, de nacionalidade angolana e indonésia, permanecem retidos no navio desde a decisão judicial que determinou o arresto da embarcação.

Os salários estão em atraso há cerca de um ano.

O capitão dos Portos do Barlavento, Aguinaldo Lima, confirmou que os trabalhadores continuam no porto do Mindelo, na ilha de São Vicente, aguardando uma solução que poderá passar pela venda do barco.

A solução existe — mas não chega.

O armador afirma ter um comprador e garante que o processo poderá ser concluído em breve.

Mas, até lá, a realidade mantém-se inalterada:

 trabalhadores presos a um impasse jurídico e financeiro

sem salários e sem liberdade para regressar

Porque há um detalhe que agrava tudo:

os documentos dos trabalhadores continuam na posse do armador.

Ou seja: Não podem sair porque esperam salários. E esperam salários porque não podem sair.

Segundo o embaixador de Angola em Cabo Verde, Agostinho Tavares, os trabalhadores recusam regressar ao país de origem sem receber o que lhes é devido.

E a razão é simples:

têm famílias dependentes desses rendimentos.

Apesar disso, recebem apoio básico:

* alimentação

* combustível

* assistência mínima no terreno

 O suficiente para sobreviver.

Insuficiente para resolver.

O caso não é novo.

Já em dezembro de 2025, a situação tinha sido denunciada, com a embarcação parada há meses e os trabalhadores sem remuneração.

A Federação Internacional dos Trabalhadores do Transporte classificou o caso como “horrível”, denunciando abandono por parte do armador e incapacidade dos trabalhadores em sustentar as suas famílias.

A exigência mantém-se a mesma desde então: pagamento dos salários

e regresso seguro a casa

QUESTÃO CENTRAL

O problema deixa de ser apenas jurídico.

Passa a ser humano.

* Como é possível manter trabalhadores retidos durante meses?

* Que mecanismos existem para evitar este tipo de impasse?

* E onde termina a responsabilidade do armador… e começa a do sistema?

A venda do navio pode resolver o processo.

Mas não resolve o atraso.

Porque, seis meses depois, a pergunta continua por responder:

quanto tempo mais é aceitável esperar por aquilo que já devia ter sido pago?

Eduino Santos

Fonte: Lusa

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