
A ligação aérea direta entre Praia e Luanda deverá ser retomada ainda este ano, num movimento estratégico que visa reforçar a conectividade regional e dinamizar as relações económicas entre Cabo Verde e Angola. O anúncio foi feito esta segunda-feira, 7 de abril, em Abidjan, pelo presidente do Conselho de Administração da TAAG – Linhas Aéreas de Angola, Clóvis Rosa.
A revelação surgiu à margem da cerimónia inaugural do primeiro voo comercial de passageiros da companhia angolana para a capital da Côte d’Ivoire, onde o responsável sublinhou o compromisso da transportadora com a expansão da sua rede e com a aproximação entre países africanos.
“Estamos muito focados em abrir Cabo Verde o mais rápido possível, cumprindo com os requisitos de uma maior ligação em África. Vamos continuar a ligar Angola ao mundo e o mundo a Angola”, afirmou.
A reativação da rota Praia–Luanda está a ser preparada em parceria com a TACV – Transportes Aéreos de Cabo Verde. Segundo Clóvis Rosa, a abertura da ligação será sustentada por estudos de viabilidade económica, garantindo que a operação seja rentável e sustentável a longo prazo.
O interesse em retomar esta ligação não é novo. Já em 2024, o embaixador de Cabo Verde em Angola, Júlio Morais, tinha defendido a urgência de reativar a linha direta, destacando o seu potencial para impulsionar o comércio e o investimento entre os dois países.
Atualmente, as trocas comerciais entre Cabo Verde e Angola permanecem reduzidas, em grande parte devido à ausência de ligações aéreas e marítimas diretas. Ainda assim, existe um interesse crescente por parte de agentes económicos e empresas de ambos os lados.
Para Júlio Morais, a criação de uma “massa crítica” assente numa conectividade eficaz será essencial para transformar o potencial em resultados concretos. O diplomata acredita que 2026 poderá trazer avanços visíveis neste domínio.
Paralelamente, estão em curso iniciativas de cooperação direta entre municípios cabo-verdianos e províncias angolanas, bem como negociações para novos investimentos angolanos em Cabo Verde, sobretudo nas áreas financeira e energética.
A retoma dos voos diretos surge, assim, como uma peça-chave numa estratégia mais ampla de aproximação económica, prometendo encurtar distâncias, facilitar negócios e reforçar os laços históricos entre os dois países lusófonos.