CRE regista inscrição de mais 1.514 cidadãos, mas desinteresse dos jovens preocupa em São Vicente

19/03/2026 14:05 - Modificado em 19/03/2026 14:05
São Vicente

O presidente da Comissão de Recenseamento Eleitoral, Humberto Mota, revelou que o número de eleitores em São Vicente atingiu dados provisórios na ordem dos 56.891 inscritos, após as autárquicas de 2025. O crescimento resulta da inscrição de mais 1.514 cidadãos depois desse processo eleitoral, elevando o universo eleitoral para perto dos 57 mil.

Apesar do aumento, os números ainda não são definitivos. Segundo o responsável, falta concluir o trabalho de atualização da base de dados, nomeadamente no que diz respeito a eliminações por óbito, transferências e outras correções administrativas.

O ritmo de inscrições registado este ano superou largamente o do ano passado. Em 2025, foram contabilizados apenas 273 novos inscritos, enquanto em 2026 esse número subiu para 1.241 — um crescimento que quadruplicou os registos. Ainda assim, Humberto Mota alerta que este aumento não significa, por si só, maior segurança no processo eleitoral, sublinhando que a mobilização tende a intensificar-se apenas em períodos próximos das eleições e, muitas vezes, por influência dos partidos políticos.

Uma das principais preocupações apontadas é o crescente desinteresse dos jovens pelo recenseamento eleitoral. Esta tendência, que se verifica desde 2010, tem vindo a agravar-se e já teve consequências concretas: em 2021, São Vicente perdeu um deputado devido ao número insuficiente de eleitores inscritos.

Para já, não há certezas quanto ao impacto nas próximas eleições. Os dados disponíveis continuam a ser provisórios e ainda poderão sofrer alterações até ao fecho oficial dos cadernos eleitorais.

Perante este cenário, Humberto Mota defende mudanças estruturais no sistema. Entre as propostas, destaca-se a criação de um mecanismo de recenseamento automático com base nos dados do registo civil. A medida permitiria garantir a inscrição de todos os cidadãos elegíveis, cumprindo o princípio legal da obrigatoriedade do recenseamento.

No entanto, o responsável alerta que esta solução não resolveria, por si só, o problema da abstenção. “Recensear não significa votar”, sublinha, defendendo a necessidade de políticas complementares que incentivem a participação eleitoral efetiva.

Outra ideia avançada passa por associar o recenseamento a atos administrativos do quotidiano, especialmente entre os jovens. O acesso a concursos públicos, formações profissionais ou até a obtenção de determinados documentos poderia depender da inscrição prévia nos cadernos eleitorais.

O objetivo seria transformar o recenseamento num verdadeiro ato cívico, integrado na vida dos cidadãos, e não apenas numa obrigação pontual associada aos períodos eleitorais.

Com os dados ainda em atualização e o desafio da abstenção por resolver, o futuro da participação eleitoral em São Vicente permanece em aberto.

NN

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