CEMFA alerta para fraca adesão ao serviço militar obrigatório e reforça desafios estruturais nas Forças Armadas

19/03/2026 13:45 - Modificado em 19/03/2026 13:59

O Chefe do Estado-Maior das Forças Armadas (CEMFA) afirmou hoje que a instituição enfrenta desafios ligados à fraca adesão ao serviço militar e à escassez de recursos, mas garantiu avanços na modernização de meios e capacidades operacionais.

Manuel Semedo fez este alerta em declarações à imprensa, à margem da reunião do Conselho Superior de Comandos Alargada aos Directores de Serviços e Equiparados realizada hoje na cidade da Praia.

De acordo com o responsável, as Forças Armadas de Cabo Verde enfrentam vários desafios com destaque para a fraca adesão dos jovens ao serviço militar obrigatório e a necessidade de renovação de equipamentos.

“Temos vários desafios, como já tinha dito anteriormente, desde a questão da pouca adesão do pessoal ao serviço militar obrigatório, mas também enormes desafios relativamente, sobretudo, aos equipamentos que temos que renovar”, afirmou.

Segundo o contra-almirante Manuel Semedo, as Forças Armadas enfrentam ainda limitações ao nível dos recursos disponíveis para responder às exigências actuais, incluindo a construção de novas capacidades, nomeadamente no combate a emergências e catástrofes naturais.

“Os meios precisam ser modernizados e os recursos não são suficientes para isso”, sublinhou.

Apesar dos constrangimentos, o chefe do Estado-Maior assegurou que estão em curso acções concretas para reforçar a operacionalidade, com destaque para a componente marítima e aérea.

“Estamos a dar passos nesse sentido, sobretudo com a aquisição de mais um navio-patrulha”, avançou, acrescentando que um navio-guardião se encontra em fase avançada de reparação, o que permitirá reforçar a defesa dos interesses do Estado no mar.

Na vertente aérea, o CEMFA indicou que a aeronave King Air da Guarda Costeira já se encontra operacional, contribuindo não só para a vigilância, mas também para transferência médicas.

No que se refere à fraca adesão ao serviço militar, Manuel Semedo considerou tratar-se de um fenómeno transversal no país, associado sobretudo à emigração jovem em busca de melhores condições de vida.

“Não é só um problema nosso, é um problema transversal a todas as instituições que fazem esse recrutamento do pessoal civil, estou a referir também à própria Polícia Nacional. Muitas pessoas estão a imigrar (…) Nós sabemos que somos um povo de imigrantes, então é normal que isso aconteça nesse momento. As pessoas vão para fora, procuram ir em melhores condições de vida e são pessoas jovens que estão a partir”, explicou.

Para inverter este cenário, garantiu que as Forças Armadas estão a investir na valorização do serviço militar e na melhoria das condições oferecidas aos efectivos, embora reconheça a concorrência do mercado externo.

Relativamente à reunião em curso, o responsável indicou que o encontro visa fazer o balanço das actividades do ano anterior, identificar dificuldades e definir metas e perspectivas para o novo ano.

Quanto ao processo de reformas no sector, afastou a existência de resistências internas, sublinhando que se trata de um processo gradual e que as reformas normalmente não se constroem de um dia para o outro, mas que leva tempo e recursos”, concluiu.

Inforpress

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