
O que deveria ser uma guerra curta contra o Irã vem se prolongando muito mais do que o esperado e causando sérias consequências econômicas para o mundo. Diante da situação, Donald Trump pediu ajuda a aliados e, inclusive, não aliados.
O presidente dos Estados Unidos quer cooperação global para reabrir o Estreito de Ormuz, que o Irã paralisou com bombas e ameaças. Ele mencionou especificamente a China e a OTAN para esta tarefa.
“É lógico que aqueles que se beneficiam do estreito ajudem a garantir que nada de ruim aconteça lá”, comentou Donald Trump em entrevista ao Financial Times.
No entanto, a China já havia previsto uma crise energética prolongada e, durante anos, acumulou reservas de petróleo bruto, diversificou as importações e investiu bilhões em fontes de energia limpa, como eólica, solar e veículos elétricos, de acordo com a CNN.
Enquanto isso, o Irã permitiu a passagem de certos petroleiros pelo Estreito de Ormuz, desde que paguem em yuan chinês, uma medida que pode representar um golpe fatal para a hegemonia econômica dos Estados Unidos.
Trump ameaça com não comparecer à cúpula de Pequim, em março, se a China não contribuir para abrir o Estreito de Ormuz.
Isso poderia, de acordo com a Reuters, prejudicar a rodada de negociações que ambos os países realizaram em Paris sobre possíveis acordos comerciais nos setores agrícola e de minerais críticos.
“A diplomacia entre chefes de Estado desempenha um papel indispensável na orientação estratégica das relações China-EUA. Ambos os lados mantêm comunicação a respeito da visita do presidente Trump à China”, comentou Lin Jian, porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China.
Quanto à OTAN, Donald Trump previu um “futuro muito ruim”, se os países membros não atenderem ao seu apelo para enviar navios de guerra para o Estreito de Ormuz.
A iniciativa da Espanha de negar apoio aos Estados Unidos na guerra contra o Irã foi acompanhada por países como Austrália, França, Itália, Alemanha e, mais recentemente, Japão.
De fato, horas depois das declarações de Donald Trump, os ministros das Relações Exteriores da UE se reuniram em Bruxelas e enviaram uma mensagem clara e direta aos Estados Unidos: “Ninguém quer se envolver ativamente nesta guerra”.
Kaja Kallas, chefe da diplomacia da UE, afirmou em coletiva de imprensa que não há interesse em estender a missão naval europeia Aspides no Estreito de Ormuz, apesar dos apelos dos Estados Unidos.
A Operação Aspides foi criada em fevereiro de 2024 em resposta aos repetidos ataques dos Houthis, alinhados com o Irã, contra a navegação internacional.
Segundo analistas, a situação atual representa a maior interrupção no fornecimento global de petróleo da história, cujo preço ultrapassou os 100 dólares por barril.
The Daily Digest