CV Interilhas esclarece situação do navio Dona Tututa e aponta falhas técnicas no estaleiro da CABNAVE

9/03/2026 22:34 - Modificado em 9/03/2026 22:34

A CV Interilhas emitiu esta segunda-feira, 9 de março, um esclarecimento público em reação a informações que considera falsas divulgadas nos últimos dias sobre a docagem do navio Dona Tututa. A empresa afirma que pretende “repor a verdade com total rigor técnico e transparência”.

Segundo a companhia de transportes marítimos, o navio Dona Tututa entrou em doca no estaleiro da CABNAVE, em São Vicente, no dia 3 de outubro de 2025, para cumprir a docagem obrigatória de classe e de bandeira. Trata-se de um procedimento exigido pelas entidades reguladoras do setor marítimo internacional para garantir a certificação do navio, a manutenção dos sistemas e a segurança da navegação.

De acordo com a empresa, este tipo de intervenção ocorre de dois em dois anos e constitui um requisito essencial para que a embarcação possa continuar a operar.

Autoridades determinaram docagem em Cabo Verde

A CV Interilhas explica que, ainda antes da intervenção, detetou possíveis limitações de capacidade no estaleiro da CABNAVE e chegou a consultar estaleiros em Portugal, que dispunham de mão de obra especializada e capacidade técnica para realizar os trabalhos dentro do prazo previsto.

No entanto, as autoridades nacionais do setor marítimo — nomeadamente o Diretor das Políticas do Mar e o Diretor dos Transportes Marítimos — determinaram que a docagem deveria ser realizada em Cabo Verde, considerando que o estaleiro nacional tinha condições para executar os trabalhos dentro do prazo estabelecido. A empresa afirma que cumpriu essa orientação.

Trabalhos demoraram o dobro do previsto

De acordo com o esclarecimento divulgado, a intervenção no estaleiro acabou por demorar 120 dias, quando inicialmente estava previsto um período de 60 dias.

Após esse período, o navio saiu da CABNAVE para realizar testes de navegação acompanhados pela sociedade classificadora, necessários para validar tecnicamente a embarcação após a docagem.

Durante esses testes ocorreu um incidente no tanque de lastro, provocado por uma obstrução no sistema de respiração do tanque, o que acabou por causar danos estruturais no navio.

Empresa aponta falhas técnicas do estaleiro

A CV Interilhas afirma que os elementos técnicos disponíveis indicam que o incidente terá resultado da não realização de procedimentos técnicos de verificação antes da saída do navio do estaleiro, responsabilidade que atribui à CABNAVE.

Navio continua parado

Atualmente, o Dona Tututa encontra-se a aguardar disponibilidade do estaleiro para a execução dos trabalhos de reparação necessários aos danos registados. A empresa indica que não existe ainda previsão para a conclusão da intervenção.

No comunicado, a CV Interilhas lamenta a situação e afirma que o problema é alheio à empresa, acrescentando que a paralisação do navio acaba por prejudicar os interesses de todos os cabo-verdianos que dependem do transporte marítimo interilhas.

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