
A ilha de São Vicente deu um passo decisivo na transição energética com a inauguração do novo sistema de armazenamento de energia em baterias de 8MW/8MWh da Cabeólica, localizado em Lazareto. O projeto representa um marco histórico no setor energético nacional, reforçando a integração das energias renováveis e a estabilidade da rede elétrica.
Durante a cerimónia, os responsáveis destacaram que, mais do que um conjunto de contentores e tecnologia de ponta, o sistema simboliza uma nova fase para o sistema elétrico cabo-verdiano. A infraestrutura permitirá uma articulação mais eficiente entre as entidades do setor, nomeadamente a ONSEC, a EPEC, a EDEC e a ELECTRA, garantindo uma energia mais limpa, estável e acessível para famílias e empresas.
Para a ONSEC, operador do sistema elétrico nacional, as baterias representam uma ferramenta essencial de estabilidade. O vento em São Vicente é abundante, mas imprevisível, e este sistema permite gerir, em milissegundos, as flutuações da produção eólica e solar, assegurando a firmeza da rede sem comprometer a segurança do abastecimento.
Já para a EPEC, produtora de base térmica, o investimento traduz-se em maior eficiência operacional. Com o apoio das baterias, os grupos térmicos passam a operar de forma mais equilibrada, reduzindo o consumo de combustível, os custos de manutenção e a dependência de combustíveis importados, com ganhos claros a nível económico e ambiental.
No que respeita à EDEC e ao serviço prestado diretamente aos consumidores, o novo sistema permitirá melhorar significativamente a qualidade da energia fornecida, com menos oscilações de tensão, menos interrupções e maior fiabilidade, criando condições para a modernização das redes e a redução de perdas.
Estima-se que a empresa possa produzir cerca de 150 GWh por ano, representando aproximadamente 30% da produção elétrica total de Cabo Verde.
O projeto insere-se num conjunto de investimentos recentes em São Vicente, que incluem o parque solar já em funcionamento, fruto de uma parceria entre o Governo e as Águas da Ponta Preta.
Em conjunto, estes investimentos elevam a produção de energia renovável da ilha para cerca de 40%, aproximando o país das metas nacionais de atingir mais de 35% de energia renovável até 2026 e mais de 50% até 2030.
NN