
O Presidente da República, José Maria Neves, apelou a um maior envolvimento dos jovens na vida política cabo-verdiana, defendendo que a democracia não se limita ao momento do voto, mas deve ser vivida diariamente através da participação ativa dos cidadãos.
O chefe de Estado fez estas declarações ao ministrar uma aula magna aos estudantes do Liceu Ludgero Lima, em São Vicente, no âmbito da XV Semana da República, sob o tema “Constituição e direitos de participação”.
Segundo José Maria Neves, é fundamental discutir a democracia com os jovens, uma vez que estes trazem novas ideias, novas orientações e uma linguagem própria que precisa de ser compreendida pelas instituições. Para o Presidente, a juventude da geração Z não está afastada da política, mas sim interessada em outras formas de fazer política, menos ligadas aos modelos tradicionais.
O Presidente sublinhou que o debate político deve ser feito com elevação, argumentos e abertura à divergência, criando espaços de escuta para compreender os anseios e aspirações desta nova geração. Esse diálogo, afirmou, é essencial para encontrar novos canais de participação e incluir mais jovens nos processos de decisão política em Cabo Verde.
José Maria Neves recordou ainda que, na sua intervenção no Parlamento, insistiu na ideia de que a democracia exige equilíbrio entre o Estado e a sociedade. Para além das eleições, existem direitos e liberdades consagrados na Constituição que nem sempre são exercidos pelos cidadãos, como o direito à ação direta nos tribunais quando o património público está em causa ou quando os titulares de cargos públicos não cumprem os seus deveres.
O Presidente manifestou preocupação com o afastamento de parte da sociedade em relação aos temas da democracia e da liberdade. Relatou que, numa recente auscultação à população, encontrou desinteresse e desconhecimento sobre estes assuntos, o que considera um sinal de alerta para a necessidade de mobilizar novamente a sociedade cabo-verdiana.
Para José Maria Neves, os cidadãos não devem apenas esperar soluções dos governos, mas também exigir rigor, transparência e orientação das políticas públicas para o bem comum. Quando as instituições não escutam as reivindicações da população ou não criam espaços de participação, gera-se desmotivação e distanciamento entre os cidadãos e o poder político.
O Presidente defendeu, por isso, uma renovação da política e das instituições, de modo a integrar as aspirações das novas gerações nos processos decisórios. Destacou ainda que os jovens dominam as tecnologias de informação, incluindo a inteligência artificial, e desenvolvem novas formas de ação e participação que precisam de ser compreendidas e valorizadas.
José Maria Neves anunciou também encontros com jovens da geração Z, com o objetivo de recolher contributos e encaminhar essas reivindicações às autoridades competentes, seja através de apelos públicos, mensagens institucionais ou diálogo direto com a sociedade.
“A política precisa renovar-se”, concluiu, defendendo que escutar a juventude é essencial para fortalecer a democracia e garantir que as políticas públicas respondam efetivamente às necessidades e expectativas da sociedade cabo-verdiana.
NN