FCF consegue 100%  da reabilitação do  Adérito Sena: São Vicente não aceita menos do que o melhor

1/01/2026 18:21 - Modificado em 1/01/2026 18:21

Há decisões que não se medem apenas em dólares, mas em visão, dignidade e respeito por uma ilha que sempre deu mais ao futebol nacional do que aquilo que recebeu em troca.

A decisão da FIFA de garantir o financiamento integral para a reconstrução do Estádio Municipal Adérito Sena é uma dessas decisões. E tem um rosto: o do presidente da Federação Cabo-verdiana de Futebol, Mário Semedo.

Na sequência da destruição provocada pela tempestade Erin, a Federação Cabo-verdiana de Futebol apresentou à FIFA um pedido de apoio financeiro para a reabilitação do Estádio Municipal Estádio Adérito Sena. A resposta inicial foi clara e positiva: 200 mil dólares norte-americanos, correspondendo a mais de 50% do orçamento apresentado. Mas foi também aí que entrou a diferença entre aceitar o possível e lutar pelo necessário.

Mário Semedo não se ficou pelo “meio caminho”. Negociou, argumentou, insistiu — e conseguiu. Está hoje garantido o financiamento a 100% da obra, algo raro, significativo e politicamente revelador. Revelador porque demonstra que, quando há projeto, credibilidade e visão estratégica, São Vicente não precisa de pedir favores: apresenta razões.

O Estádio Adérito Sena conhece bem a palavra “remodelação”. Ao longo das últimas décadas, foi alvo de várias intervenções: melhorias pontuais no relvado, adaptações mínimas nas bancadas, ajustes improvisados nos balneários e na iluminação. Investimentos sempre anunciados como “definitivos”, mas que nunca elevaram a infraestrutura a um verdadeiro padrão internacional. O resultado foi um estádio funcional para competições internas, mas incapaz de acolher, com dignidade e segurança, jogos da Seleção Nacional.

Essa história de remendos explica, em parte, a firmeza do atual posicionamento da Federação. Para Mário Semedo, São Vicente não precisa de mais uma obra de sobrevivência. Precisa de um estádio à altura da sua história futebolística, do seu público exigente e do contributo decisivo que a ilha sempre deu às seleções nacionais — masculinas e femininas —, aos clubes e à identidade do futebol cabo-verdiano.

É por isso que a Federação quer ir mais longe. Aproveitar este financiamento da FIFA para, em articulação com o Governo e a Câmara Municipal, corrigir falhas estruturais antigas: condições técnicas, certificações, acessos, segurança, iluminação e requisitos que permitam, finalmente, o regresso da Seleção de Cabo Verde ao Adérito Sena. Não como exceção, mas como regra.

E aqui importa ser claro: a gente de São Vicente desta vez não se contenta com menos do que o melhor. Não se contenta com promessas apressadas nem com soluções mínimas. Quer um estádio que honre a memória, respeite o presente e projete o futuro. Um estádio que não seja apenas reabilitado, mas reposicionado no mapa do futebol nacional e internacional.

Se tudo correr como previsto, ainda nesta época desportiva o Adérito Sena poderá voltar a receber jogos das competições nacionais. Mas o essencial não é o calendário. É o princípio que fica estabelecido: São Vicente merece — e exige — infraestruturas à altura da sua dignidade. Desta vez, parece haver quem esteja disposto a defendê-lo até ao fim.

Eduino Santos 

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