Câmara de São Vicente opera em regime de turnos para conter vazamentos de esgoto após tempestade Erin

13/12/2025 22:41 - Modificado em 13/12/2025 22:41

O presidente da Câmara Municipal de São Vicente afirmou que o serviço de saneamento da autarquia tem estado a trabalhar em regime de turnos para minimizar os problemas de vazamento de esgoto registados em várias zonas da ilha, nomeadamente em Ribeira de Craquinha, Ribeira de Passarão, Pedra Rolada e na Ribeirinha, em frente à Escola Jovino Santos.

Augusto Neves falava à Inforpress, em resposta a questionamentos sobre a persistência dos focos de esgoto a céu aberto, explicando que a câmara atua há cerca de quatro meses para resolver a situação, enfrentando, no entanto, sérias limitações técnicas.

Segundo o autarca, praticamente todos os equipamentos de desobstrução encontram-se avariados, consequência da sobrecarga de trabalho provocada pelas chuvas intensas associadas à tempestade Erin. Um dos veículos de apoio, deslocado da cidade da Praia, acabou por regressar totalmente danificado após o período de utilização.

“O nosso carro está com muitos problemas e, neste momento, estamos à espera de um carro de desobstrução de esgoto que chegará a qualquer dia de Oeiras, em Portugal. Entretanto, vamos dando continuidade ao trabalho, com muitas dificuldades”, afirmou.

Augusto Neves revelou ainda que a autarquia já desencadeou diligências para o lançamento, com caráter de urgência, de um concurso público para a aquisição de um novo veículo. No entanto, esclareceu que este processo é moroso, podendo ultrapassar seis meses, uma vez que este tipo de equipamento não se encontra disponível para compra imediata.

“São veículos extremamente caros, que custam entre 35 e 40 mil contos. Às vezes a câmara precisa, mas não é simples adquirir. Ainda assim, estamos a trabalhar nesse sentido, com os funcionários a cumprirem turnos para dar resposta à situação”, sublinhou.

Na ausência de meios adequados, a câmara tem recorrido a soluções provisórias, como a abertura manual de esgotos, um procedimento que, segundo o presidente, seria evitável se existissem equipamentos apropriados de desobstrução.

Para Augusto Neves, a escassez de meios técnicos é um problema estrutural não só em São Vicente, mas em todo o país, considerando que a tempestade Erin evidenciou a necessidade de reforço dos equipamentos municipais para responder a situações de emergência.

“Neste momento, o principal problema de Cabo Verde é a falta de equipamentos. Por isso solicitámos apoio ao município de Oeiras, que enviou uma equipa para fazer o levantamento da situação. Na semana passada, essa equipa voltou à ilha e foi disponibilizado um carro de esgoto para apoiar os trabalhos até conseguirmos adquirir um novo”, explicou, acrescentando que a Câmara Municipal do Porto também disponibilizou um carro de recolha de lixo, já em operação na cidade.

O edil reconheceu a complexidade do cenário, revelando ainda que uma bomba adquirida pela câmara em maio apenas agora chegou às Alfândegas de São Vicente, destinada a substituir um equipamento avariado.

“A situação está difícil. Sabemos que há zonas nas ribeiras particularmente complicadas, mas teremos de ultrapassar. Espero que os trabalhadores tenham feito tudo o que estava ao alcance para amenizar e regularizar a situação”, concluiu.

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