Orçamento Municipal de S. Vicente aprovado com votos do MPD – UCID votou abstenção e PAICV votou contra

11/11/2025 16:10 - Modificado em 11/11/2025 16:54

O Orçamento Municipal de São Vicente para 2026 foi aprovado com 9 votos do MPD, 6 contra do PAICV e 6 abstenção da UCID. A oposição fala em “cegueira” e situação defende “responsabilidade com o povo”.

Deputados do MPD na aprovação do Orçamento Municipal de São Vicente 2026

O debate em torno da aprovação do Orçamento Municipal de São Vicente para o próximo ano foi marcado por duras trocas de argumentos entre as bancadas municipais. O documento, aprovado na Assembleia Municipal, gerou críticas da oposição, que considerou o orçamento “obscuro” e “tecnicamente inválido”, e defesas da situação, que justificou a sua viabilização como um “ato de responsabilidade com o povo” após os estragos causados pela tempestade de 11 de agosto.

O presidente do PAICV em São Vicente, Adislon Jesus, lamentou o que chamou de “perda de uma oportunidade histórica” de dar à ilha um orçamento à altura dos desafios pós-tempestade. “Perdeu-se a oportunidade de dar a São Vicente um instrumento que respondesse, de facto, ao que aconteceu no dia 11 de agosto. Aprovámos um orçamento feito por um grupo dentro da Câmara que ignorou o caráter tripartido da instituição”, afirmou.

O dirigente destacou ainda a falta de transparência e de base técnica no documento: “Não sabemos qual é a dívida real de São Vicente, o que se deve aos credores, nem temos um plano de reconstrução. A receita de capital vem com zero, o que pode ser considerado uma ilegalidade.”

Adislon Jesus criticou também a distribuição dos recursos: “De 400 mil contos de empréstimos, apenas 20 mil estão destinados à habitação, quando esta foi uma das áreas mais afetadas pela destruição. O orçamento não promove a economia local nem valoriza a formação profissional.”

Para o líder do PAICV, o orçamento aprovado “é de endividamento apenas” e foi votado “na cegueira, no obscurantismo e na falta de informação”.

Já Anilton Andrade, da UCID, reconheceu falhas no documento, mas defendeu a sua viabilização como um gesto de solidariedade com as famílias afetadas. “Após a tempestade Erin, temos o dever político de dar o benefício da dúvida ao orçamento, para aliviar o sofrimento das famílias e iniciar a recuperação da ilha”, afirmou.

O eleito pela UCID frisou que o voto favorável não significa confiança na atual maioria da Câmara, mas sim “respeito aos sanvicentinos”. “Votar contra seria bloquear São Vicente neste momento crítico. A nossa aprovação é crítica, vigilante e condicional. Queremos resultados, transparência e responsabilidade.”

Rony Wahnon, representante do MpD, acusou o PAICV de “negar São Vicente” e defendeu a legalidade e importância do orçamento. “O PAICV tem a ladainha de sempre sobre irregularidades. Se houvesse alguma, o Tribunal de Contas já teria agido. Este orçamento abre novos caminhos para a ilha e dá alento às famílias sanvicentinas”, declarou.

Segundo Wahnon, o documento aprovado “coloca São Vicente em primeiro lugar” e representa “um novo começo” para a ilha.

O orçamento municipal de São Vicente, marcado por divergências políticas, foi aprovado sob forte contestação, mas com apelos à união e ao “colocar São Vicente acima das diferenças partidárias”.

NN

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