
Por Eduino Santos
O Governo voltou a publicar a Resolução n.º 110/2025, desta vez corrigida, e autorizou o Ministério das Infraestruturas, Ordenamento do Território e Habitação (MIOTH) a avançar com a execução do Plano Estratégico de Resposta e Recuperação — um instrumento essencial para reparar os estragos provocados pelas chuvas de 11 de agosto.
São mais de 914 milhões de escudos, (8,3 milhões de euros) financiados pelo Banco Mundial, através do mecanismo Cat-DDO, um fundo internacional criado para apoiar países em situações de catástrofe. O plano abrange intervenções em São Vicente, Santo Antão e São Nicolau — ilhas que ainda guardam as marcas visíveis da enxurrada — e prevê a criação de um gabinete de execução responsável por coordenar as obras e gerir os recursos.
Até aqui, tudo parece estar no caminho certo. Mas o sucesso desta medida não dependerá apenas da boa vontade política ou da rapidez na execução. Dependerá, sobretudo, da eficiência e da transparência com que o referido gabinete conduzirá o processo.
Cabo Verde tem, é verdade, um histórico de boa gestão de fundos internacionais, o que lhe tem valido reconhecimento e confiança de parceiros externos. No entanto, a história também ensina que entre a aprovação de um financiamento e o impacto real na vida das pessoas há um longo caminho a percorrer — e esse caminho precisa ser vigiado.
É neste ponto que entra a importância da monitorização pública e comunitária. As populações afetadas não podem ser apenas beneficiárias passivas; devem ser também observadoras e fiscalizadoras da aplicação dos recursos. Cada ponte reconstruída, cada estrada reabilitada, cada habitação recuperada deve ser um símbolo de responsabilidade coletiva e de prestação de contas.
A transparência não é apenas uma exigência técnica — é uma condição moral para garantir que a solidariedade internacional se traduza em desenvolvimento real. Porque, no fim de tudo, o que as comunidades esperam não são relatórios ou anúncios, mas obras que resistam à próxima tempestade.
Se Cabo Verde quer transformar esta crise num exemplo de boa governação, o desafio está lançado: menos burocracia, mais eficiência; menos discurso, mais obra; e, acima de tudo, mais transparência.