Primeiro Centro de Fact-Checking criado para defender a integridade e soberania da informação entrará em funcionamento em Dezembro

17/10/2025 15:03 - Modificado em 17/10/2025 15:03
@ almalaboris.com

Cabo Verde deu um passo importante na luta contra a desinformação com o lançamento oficial do Centro de Fact-Checking, uma iniciativa liderada pela Agência Reguladora da Comunicação Social (ARC), em parceria com o PNUD, a AJOC e a Universidade de Cabo Verde (Uni-CV). O objetivo é garantir a integridade e soberania da informação no país, num contexto global em que as notícias falsas e manipuladas ameaçam as democracias.

Segundo Alfredo Pereira, membro do Conselho de Administração da ARC, a ideia nasceu de uma experiência piloto realizada com a Comissão Nacional de Eleições (CNE) em 2024.

“Sentimos a necessidade de salvaguardar a democracia através de uma informação verdadeira e combater as narrativas falsas ou manipuladas”, explicou.

Com o apoio técnico do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), foi feito um estudo sobre a realidade cabo-verdiana para definir o modelo mais adequado. O país optou por um modelo híbrido, que combina cooperação institucional e sustentabilidade, com participação ativa da Uni-CV e da AJOC.

“Os centros de fact-checking não procuram mudar ideologias, mas garantir que o cidadão tenha acesso a narrativas verdadeiras e verificáveis”, sublinhou Alfredo Pereira. “A desinformação pode pôr em risco a democracia, seja na saúde, economia, política ou turismo.”

O responsável destacou ainda que o fact-checking não se limita à comunicação social, mas abrange toda a sociedade.

“Uma informação manipulada pode perigar o estado social de um país. O digital amplifica a desinformação, e é fundamental que os cidadãos aprendam a reconhecer e a não partilhar conteúdos falsos.”

Para Jeremias Furtado, presidente da AJOC, a criação do centro vem reforçar a luta pela integridade da informação e pela educação mediática e digital desde as escolas.

“As crianças precisam aprender desde cedo o que é um jornal, o que são as redes sociais e os perigos da desinformação. Não se trata de censura, mas de responsabilidade”, afirmou.

Furtado defende também um diálogo aberto com criadores de conteúdo digital, para que compreendam o impacto social da informação que produzem e disseminam.

Apoio internacional e cooperação

O representante residente do PNUD, UNFPA e UNICEF em Cabo Verde, David Matern, destacou que a desinformação é hoje um dos maiores perigos para as democracias.

“Conteúdos falsos minam a confiança nas instituições e fragilizam a sociedade. O PNUD está a apoiar Cabo Verde na criação de um centro independente de verificação, com base no sistema iVerify, já usado noutros países africanos.”

Matern sublinhou ainda a importância de reunir diferentes atores, instituições públicas, jornalistas e academia, numa coalizão nacional pela verdade.

“Este centro vai ajudar a identificar falsos conteúdos, acalmar debates e reforçar as instituições democráticas”, concluiu.

Com o lançamento do Centro de Fact-Checking, Cabo Verde junta-se ao grupo de países africanos que apostam na verificação de factos como ferramenta de defesa democrática.

NN

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