Candidato à Comissão Política Concelhia exige transparência e convocação de uma Assembleia Geral para legitimar decisões partidárias na ilha.

O candidato às eleições para a Comissão Política Concelhia do MpD em São Vicente, Flávio Lima, manifestou forte contestação à forma como foi anunciada a eleição da nova presidente do partido na ilha, Dirce Lena dos Santos Henriques da Luz, que sucede a Helena Fortes.
Em publicação nas redes sociais, Flávio Lima afirma ter sido “surpreendido” com o comunicado divulgado pelo MpD-SV no passado dia 14, no qual se anuncia que a eleição decorreu entre membros da Comissão Política Concelhia e foi ratificada pela Comissão Política Nacional.
Segundo Lima, não houve transparência nem base estatutária clara para o processo.
“Quando tal eleição foi feita? Qual foi o resultado? Desde quando a Comissão Política tem competência para eleger o seu presidente?”, questiona o candidato, que também é membro da Direção Nacional e da Mesa da Direção Nacional do MpD.
O gestor de 40 anos acusa a estrutura local do partido de ter conduzido o processo “de forma restrita”, sem a participação dos militantes, o que considera “um retrocesso para a democracia interna”.
“Por que razão não se promoveu uma votação geral, envolvendo todos os militantes, como aconteceu noutras regiões? Em vez disso, optou-se por uma decisão confinada a meia dúzia de amigos ou aliados próximos”, critica.
Flávio Lima acusa ainda a anterior presidente, Helena Fortes, de o ter excluído das listas do partido “por não ser amigo íntimo” e “por não possuir a dita confiança política”.
“Reprovei no crivo da confiança de uma senhora que nunca vi em nenhuma atividade do MpD. O que reina é uma política baseada em amizades, copos e reuniões informais”, afirma.
O candidato considera que a nova presidente não tem legitimidade nem proximidade com os militantes de São Vicente.
“Como poderá liderar uma equipa com a qual não teve contacto, nem conhece as expectativas ou compromissos assumidos?”, questiona.
Lima vai mais longe e acusa a atual estrutura concelhia de inércia total, alegando que, antes e depois das últimas eleições municipais, “nada foi feito” em termos de ação política, social ou institucional.
“Como pode um comunicado destes falar em legalidade, transparência e renovação democrática, quando o processo foi tudo, menos isso? Queriam dizer continuidade da inação política”, ironiza.
O concorrente critica também a Comissão Política Nacional, que, segundo ele, “tem fechado os olhos às irregularidades internas e à falta de democracia”. “Estaremos a rasgar os estatutos de cima para baixo?”, questiona.
Perante o que classifica como “ato vergonhoso e sem credibilidade”, Flávio Lima propõe que a Direção Nacional do MpD:
O candidato incentiva ainda a mobilização interna dos militantes que defendem “a democracia, a transparência e os valores fundadores do MpD”.
“Não estamos contra ninguém. Só queremos um partido ativo, vivo, coeso e empenhado em ganhar eleições. O MpD em São Vicente vive um momento decisivo: ou aceitamos a derrota silenciosa, ou lutamos pela transparência e pela reafirmação dos nossos princípios”, conclui.
NN