
A seleção nacional, os Tubarões Azuis, pode alcançar um feito histórico: a primeira qualificação para um Campeonato do Mundo de Futebol. Apesar de ter perdido ao longo das décadas muitos talentos para outras seleções, o país começa agora a afirmar-se como potência emergente no futebol africano, despertando o interesse de jornalistas e influenciadores desportivos com audiência global.
Nos últimos dias, a habitual presença da imprensa nacional tem sido reforçada por repórteres internacionais que chegaram ao arquipélago para acompanhar os treinos e as conferências de imprensa da seleção. Para muitos, o futebol é mais do que um jogo — é uma janela para conhecer o país e a sua cultura.
O futebol é sempre uma desculpa para aprender mais sobre o país, sobre a cultura e sobre o povo”, afirmou Alex, jornalista estrangeiro que se encontra em Cabo Verde há vários dias para acompanhar de perto o ambiente antes do jogo decisivo. “Não queria chegar só para o jogo. Quis vir antes para entender melhor o que representa esta conquista para os cabo-verdianos.”
Entre os correspondentes estrangeiros que acompanham este momento histórico está também o jornalista freelancer italiano Perotti, colaborador das revistas Panenka e The Blizzard. Para ele, a eventual qualificação cabo-verdiana pode marcar uma nova era para o país no panorama do futebol mundial.
“Digo isto com muito respeito: na Itália quase não sabemos nada sobre Cabo Verde. Mas o que está a acontecer lembra-me o Uruguai dos anos 1920 — quando venceu os Jogos Olímpicos de 1924 e 1928 e passou a ser reconhecido no mapa-mundo. Acho que o mesmo pode acontecer com Cabo Verde. O país fez um trabalho extraordinário nos últimos 10 ou 13 anos”, destacou.
No Reino Unido, onde Cabo Verde já é conhecido pelas praias, pela música e por Cesária Évora, o futebol começa agora a ganhar destaque. Jornalistas britânicos reconhecem o crescente interesse pelas “histórias improváveis” da Copa do Mundo — e a trajetória cabo-verdiana encaixa-se perfeitamente nesse perfil.
“É quase impossível não se interessar pela história de Cabo Verde”, disse um repórter britânico. “Um grupo tão pequeno de ilhas pode chegar ao Mundial e vencer seleções como os Camarões. É uma narrativa inspiradora.”
Ainda assim, alguns correspondentes admitem surpresa com o comportamento do público local.
“Não vi muito entusiasmo antes do jogo contra a Líbia”, observou um dos jornalistas. “Sei que era horário de trabalho, mas noutros países africanos, como Camarões ou Costa do Marfim, as pessoas param para ver a seleção jogar. Espero que haja muito mais entusiasmo no jogo da próxima segunda-feira.”
Enquanto o mundo observa, os Tubarões Azuis preparam-se para transformar o sonho em história. De “pequeno no mapa” a “gigante na ambição”, Cabo Verde está prestes a conquistar o seu lugar definitivo no futebol mundial.
E do outro lado do planeta, até a imprensa indiana reflete: o que a seleção da Índia pode aprender com o exemplo de Cabo Verde?
NN/RTC