UCID alerta para fragilidades no sistema educativo e pede maior atenção às escolas de São Vicente

7/10/2025 17:41 - Modificado em 7/10/2025 17:41

UCID alerta para fragilidades no sistema educativo e pede maior atenção às escolas de São Vicente

A deputada Dora Pires, da União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID), fez a antevisão da primeira sessão parlamentar de outubro, que marca a abertura do ano parlamentar 2025-2026, destacando o debate com o ministro da Educação como um dos pontos mais importantes da agenda.

Segundo a parlamentar, o debate é essencial tendo em conta o início do novo ano letivo, num momento em que o sistema educativo enfrenta vários desafios estruturais e de qualidade.

“A educação deve continuar a ser uma das grandes prioridades nacionais. Queremos um ensino de qualidade em todos os níveis, desde o pré-escolar até ao superior, incluindo as crianças com necessidades educativas especiais”, afirmou Dora Pires.

Educação e inclusão em destaque

A deputada sublinhou que ainda persistem graves problemas nas infraestruturas escolares, com escolas sem casas de banho, sem água e sem condições adequadas para receber alunos com deficiência.

“Nem todas as escolas estão preparadas para acolher cadeirantes ou crianças com necessidades especiais. É urgente formar professores e criar estruturas adequadas. A inclusão deve ser real e não apenas teórica”, defendeu.

Dora Pires recordou ainda que, após as chuvas de 11 de agosto, que afetaram fortemente a ilha de São Vicente, muitas escolas ficaram danificadas, com tetos, portas e materiais informáticos destruídos. Apesar do esforço dos professores e da comunidade educativa, a deputada alerta que persistem fragilidades.

“Há escolas onde o mobiliário, os computadores e outros materiais foram danificados. É urgente que o Governo disponibilize verbas para recuperar essas infraestruturas”, apelou.

UCID critica delegação legislativa e pede transparência

Durante a sessão, a UCID deverá também pronunciar-se sobre pedidos de autorização legislativa do Governo, nomeadamente sobre a instituição de arbitragem em matéria sucessória e a revisão da lei que cria o Gabinete de Recuperação de Ativos e de Administração de Bens.

“Temos sido contra as autorizações legislativas. Entendemos que as propostas devem ser discutidas no Parlamento, com transparência. No entanto, reconhecemos que a Constituição permite a delegação de poderes ao Governo”, admitiu Dora Pires.

Ensino e identidade cultural

A deputada aproveitou ainda para defender um sistema educativo que valorize a identidade cabo-verdiana, nomeadamente o ensino da língua materna e a inclusão da história e da cultura nacionais nos programas escolares.

“O sistema educativo tenta aproximar os alunos dos países onde poderão continuar os estudos, o que é bom, mas não pode esquecer a nossa língua, a nossa história e a nossa cultura. A educação deve reforçar a cabo-verdianidade e formar cidadãos conscientes da sua identidade”, frisou.

Dora Pires destacou ainda que o abandono escolar continua a ser preocupante, com cerca de 2,02% dos estudantes fora do sistema, o que representa aproximadamente 2.600 crianças em todo o país.

Desafios e apelos

A UCID vai aproveitar o debate com o ministro da Educação para pedir avaliação da reforma do ensino básico, que está na sua fase final, e saber se a qualidade do ensino-aprendizagem tem efetivamente melhorado.

A deputada concluiu com um apelo ao Governo para investir mais na educação e valorizar o papel dos professores:

“A educação merece todo o nosso empenho e dedicação. Precisamos de um sistema de ensino cabo-verdiano próprio, genuíno e de qualidade, que forme cidadãos para a vida. Só assim todos sairão a ganhar – alunos, professores e o país.”

NN

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