São Vicente reforça vigilância epidemiológica para travar paludismo e dengue

2/10/2025 09:26 - Modificado em 8/04/2026 11:00

A Delegacia de Saúde de São Vicente está a reforçar a vigilância epidemiológica e a capacitação de técnicos no âmbito da formação “Reforço de Competências em Vigilância Epidemiológica”, promovida pela Direção Nacional da Saúde. A iniciativa insere-se na estratégia nacional de prevenção da reintrodução do paludismo em Cabo Verde e da propagação de outras doenças transmitidas por mosquitos, como dengue, chikungunya e zika.

Segundo a delegada de Saúde substituta, Jaqueline Cid, a formação “chega em boa hora”, numa altura em que a ilha enfrenta as consequências das últimas chuvas, que criaram focos de acumulação de água e aumentaram o risco de proliferação de mosquitos.

“São Vicente não registava tempestades há mais de um mês e, com as chuvas recentes, surgiram várias zonas críticas. É fundamental reforçar a intervenção comunitária para evitar que doenças como paludismo e dengue voltem a ameaçar a população”, explicou.

A responsável recordou que, durante anos de seca, as ações de prevenção, como pulverização, introdução de peixes em viveiros e campanhas de limpeza, foram reduzidas. Com a mudança climática e o regresso das chuvas, “a situação exige uma resposta imediata e multissetorial, envolvendo Câmara Municipal, Ministério da Agricultura e Ambiente, Ministério da Saúde e parceiros locais”.

Entre as áreas mais críticas identificadas está a zona de Gisal, onde o trabalho conjunto da Delegacia e da autarquia permitiu eliminar focos de água acumulada. Até ao momento, todos os testes de rastreio de paludismo e dengue realizados deram resultado negativo.

No entanto, Jaqueline Cid alerta que a luta contra os vetores depende sobretudo da participação da comunidade.

“O mosquito nasce da ação humana. É quando deixamos a água acumular em recipientes, tanques ou nas nossas próprias casas que criamos condições para a sua reprodução. Por isso, a prevenção deve envolver todos”.

A formação, já realizada em Santiago, Praia, Santiago Norte e Boa Vista, pretende agora reforçar as competências técnicas em São Vicente, numa altura em que o aumento da pluviosidade e da humidade pode favorecer a propagação de doenças.

“Queremos um Cabo Verde livre de doenças transmitidas por vetores. Para isso, precisamos de vigilância ativa, diagnóstico rápido, gestão de casos e envolvimento de toda a sociedade”, concluiu a delegada.

NN

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