Opinião – Mais um debate para fraturar a sociedade

10/09/2025 23:38 - Modificado em 10/09/2025 23:38

Por Tozé Barbosa

Como se vai confirmando, a maioria governativa parece não ter uma pauta estruturada de comunicação política e, por consequência, o remédio é ir reagindo e…seguir “trás dikornetadi Tabanca” do PAICV.

Para mim, esta questão é crónica, sendo perfeitamente dispensávelinsistir no óbvio. Mas, pelo jeito astuto da“livre omissão das opiniões”, o problema parece não ser tão óbvio como gostaria de pensar.

Isto diz respeito não apenas aos governantes, mas a toda uma classe política/administrativaque funcionaem roda livre, naturalmente dispensada de fazer valer as suas atuaçõespessoais e das suas instituições com os resultados prometidos.

Apenas um à parte,para expor um caso de claro exemplo:

A desconexão entre os Relatórios e os respetivos Planos de Atividades (estes muitas vezes não publicados para dificultar o escrutínio hierárquico/político e social) é gritante.

Daí a fraqueza congénita da comunicação política, com conteúdos pouco informativos e esclarecedores, em contraste com a cotação em alta da “comunicação de eventos”, de meras citações e observações do óbvio.

Esta repetida análise crítica vem a propósito da colocação da pauta da licença menstrual feitapelo presidente do PAICV, obviamente para alimentar os irrenunciáveis princípiosideológicos, polarizar o ambiente e exaltar os ânimos, com o intuito de captar simpatias eleitorais.

Ser a favor ou contra, sobretudo à revelia dosfatos e argumentos válidos–esta é a estratégia topo de gama para ganhar o debate,“logo pra início de conversa”.

Na verdade, esta e outras armadilhas são tão tentadoras para a classe política governante que se torna difícil não alinhar na porfia mais acirrada e dar o troco na mesma moeda. Ou até numa de menor valor, pois o que interessa é que nada fique sem resposta, valha ela o que valer.

Se é engraçada a crítica humorísticaque se assiste nas redes sociais, (apenas por partirem de pessoas sem responsabilidade política), será incompreensível que argumentos deste tipo saiam da boca de pessoas com cargose presunção de competência, a ponto deserem nossos legítimos, ou ilegítimos, representantes.

A questão importante é que a licença menstrualconstitui uma medida de conforto sanitário e de direito das mulheres, portanto nunca poderá ser objeto de ironia ou troça por parte de determinadas personalidades, quaisquer que sejam os “likes” que isso possa angariar.

Sim! A questão pode e deve ser debatida, mas, com informações que interessam e num clima de normalidade retórica em que as pessoas possam ouvir, entender e comprrender.

Ou seja, sem as habituais farpasordinárias dasferas radicais, que tornam estéreis todos os debates com potencial de informar, mas que sintomaticamente servem para captar potenciaissimpatias políticas, na esperança de se materializarem nos tão apreciados “apoios incondicionais”.

Porque, para uns, esta medida representa um avanço não desprezível na promoção da igualdade e da dignidade menstrual e para outros, levanta sérias dúvidas quanto à viabilidade económica e aos impactos no funcionamento das instituições.

Então, o caminho mais adequado seria proceder a uma análise rigorosa da sua viabilidade — jurídica, institucional e operacional — e ponderar de forma equilibrada a relação entre custos e benefícios.

Contudo, essa avaliação torna-se quase impossível num contexto dominado por conflitos permanentes, em que os factos são arrogantemente humilhados por argumentos de comprovadas inconsistências.

Uma condição patológica, passivamente tolerada na nossa democracia ainda incipiente e pouco instruída, que afronta os cidadãos ao privilegiar narrativas fantasiosas em detrimento da consideração dos factos e das evidências racionais.

No atual ambiente político-eleitoral, a proposta do PAICV lança um tema sensível e que cumpre bem o objetivo de marcar posição e acirrar ainda mais os ânimos exaltados, em busca do maior número possível de apoiantes/eleitores.

o entanto, mesmo em meio às tensões políticas, é possível orientar o debate com base em factos e numa pluralidade de visões, de modo a construir uma política pública que respeite simultaneamente as necessidades das mulheres e a sustentabilidade económica e governativa do país.

O resto é folclore para desviar as atenções, colher mais alguns votos marginais e tentar mudar algo para que tudo fique na mesma.

Tozé Barbosa

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