S. Vicente: Moradores da parte alta de Lombo Veneno denunciam abandono após tempestade

18/08/2025 23:59 - Modificado em 19/08/2025 00:07

Na localidade de Lombo Veneno, na zona de Ribeirinha em São Vicente, os moradores da parte alta enfrentam uma realidade de abandono e esquecimento, enquanto as doações destinadas às vítimas das recentes chuvas não chegam à sua região.

Alcídia Rocha, de 66 anos, porta-voz do grupo de moradores, expressou a indignação coletiva. “Nós, que moramos na parte alta, não conseguimos nenhuma cesta básica. As pessoas que fazem entrega de doações ficam na parte de baixo da localidade, e quando descemos para buscar, já não tem nada”, relatou.

 A falta de acesso a recursos básicos, como água potável, agrava a situação, forçando os moradores a comprarem água em lojas, muitas vezes sem sucesso devido à escassez.

A ausência de auxílio oficial é outro ponto de revolta. Alcídia destacou que “as pessoas que estão a frente das ajudas não vieram cá ver a situação das famílias, principalmente as com crianças”. As reparações na estrada de acesso, essencial para a mobilidade, foram feitas pelos próprios moradores, evidenciando a falta de intervenção das autoridades.

Além disso, a comunidade enfrenta traumas profundos causados pelas chuvas. “As pessoas desta área estão traumatizadas. Eu, no meu caso, não me interessava tanto por cestas básicas, mas por apoio psicológico, porque muitas famílias passaram o maior sufoco durante a tempestade e nos dias que se seguiram”, relatou Alcídia, que também perdeu roupas em condições de uso.

A escassez de água é um problema crítico. Alcídia conta que conseguiu apenas duas toneladas de água para banho, usadas com extremo cuidado. “Água para beber e cozinhar compramos nas lojas, e muitas vezes nem encontramos”, explicou.

Os moradores relatam que, apesar de notícias sobre grandes quantidades de água sendo distribuídas, ao chegarem aos pontos de entrega na parte baixa, enfrentam filas enormes ou encontram os estoques esgotados.

 “As pessoas não sabem como passamos aqui. Por cá, estamos mal”, desabafou Alcídia, em um apelo por atenção e suporte para a comunidade esquecida da parte alta de Lombo Veneno.

AC – Estagiária

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