
O Gabinete de Crise de São Vicente anunciou este sábado um conjunto de medidas de resposta à situação de emergência vivida na ilha após as fortes chuvas, que deixaram um rasto de destruição, desalojados e dois desaparecidos. A informação foi avançada pela porta-voz do Gabinete de Crise, a comandante regional do Serviço Nacional de Proteção Civil e Bombeiros, Vitória Veríssimo.
Segundo a responsável, foram mobilizadas quatro equipas mistas constituídas pela Polícia Nacional, Forças Armadas, Delegacia de Saúde, Polícia Municipal, fiscalização da Câmara Municipal e Proteção Civil. Essas brigadas estão encarregues de realizar avaliação de risco e ações de sensibilização junto das populações.
As operações decorreram em zonas como Calhau, Porta Linha, Vila Nova, Txand’Vital, Cabo de Ribeira, João Évora e Covada de Bruxa, identificando residências em perigo iminente e orientando evacuações preventivas.
As autoridades mantêm a prioridade nas buscas, tanto em terra como no mar. A Guarda Costeira, agora com o reforço de mergulhadores da Marinha Portuguesa, prossegue varreduras na orla da baía do Mindelo. Ontem foi recuperada uma bomba de combustível na zona do “Caizinho”, inicialmente confundida com uma viatura.
Duas pessoas continuam desaparecidas: uma delas, uma mulher com problemas de saúde mental que habitualmente deambula pela cidade, cuja localização ainda não foi confirmada.
No que toca à segurança, a Polícia Nacional duplicou o efetivo nas ruas para prevenir furtos e roubos, reforçando sobretudo a vigilância em estabelecimentos comerciais fragilizados e em infraestruturas estratégicas como o aeroporto Cesária Évora e o Centro de Terapia Ocupacional.
A escassez de água mantém-se como a maior preocupação. Ontem chegou a São Vicente o navio da Marinha Portuguesa com 30 toneladas de água potável, imediatamente canalizadas para o Hospital Baptista de Sousa, que enfrenta um consumo elevado diário. A embarcação partiu este domingo para Santo Antão, de onde transportará mais água para São Vicente.
Entretanto, técnicos da Eletra garantiram que a produção local de água poderá ser retomada a partir de terça-feira, após reparações em curso. Como plano alternativo, estão a ser mobilizados reservatórios e reforçada a recolha através de camiões-cisterna.
No setor da saúde, o Centro de Saúde da Bela Vista, gravemente afetado, já foi recuperado e encontra-se operacional. Também o túnel do Estádio Adérito Sena, onde se acumulava grande quantidade de esgoto, foi desobstruído pelas Forças Armadas.
No total, 210 pessoas estão acolhidas em estruturas provisórias, após terem sido evacuadas por precaução. O Liceu Augusto Pinto acolhe 144 desalojados, a Escola de Monte Sossego 54 e o Centro de Estágio do Estádio Adérito Sena 15.
A Marinha Portuguesa, em articulação com as Forças Armadas e a Câmara Municipal, distribuiu refeições quentes nos centros de acolhimento, além do apoio logístico e médico. Médicos e enfermeiros portugueses foram integrados nas equipas nacionais para garantir assistência nas unidades de saúde e nas zonas afetadas.
O Gabinete de Crise sublinhou Veríssimo, que a ilha de São Vicente conta atualmente com cerca de 36 mil pessoas afetadas. Para além do mapeamento municipal, as associações comunitárias e delegacias de saúde têm desempenhado um papel essencial na identificação de famílias desalojadas e de residências em situação de risco.
“Há estruturas que não estavam ameaçadas, mas que agora apresentam perigo devido à lama que afetou a base das construções. Naturalmente, vamos ter cada vez mais famílias a necessitar de apoio”, frisou Vitória Veríssimo.
A porta-voz sublinhou ainda que o realojamento definitivo das famílias desalojadas é uma decisão que cabe ao Governo e à Câmara Municipal, não ao Gabinete de Crise, que tem como função assegurar a resposta imediata em termos de acolhimento, alimentação, higiene e segurança.
NN