
Ainda no meio da dor, lágrimas, e o início de um luto doloroso pela perda de sete vidas e preces para que os desaparecidos se encontrem vivos, há uma pergunta que tem que ser feita: Por que não foi emitido o alerta para a população?
E faço a pergunta de novo, por que se a resposta é esta que foi dada pela Administradora do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG): “São Vicente, entre as 3h00 e as 4h00 da madrugada, caíram cerca de 163 milímetros de precipitação. Embora houvesse previsão de chuva e trovoada, não foi emitido alerta, uma vez que “o sistema inicialmente parecia menos perigoso”.
Segundo a responsável, a previsão baseou-se em imagens de satélite, já que “Cabo Verde não dispõe de radares meteorológicos, o que dificulta estimar a intensidade e quantidade de precipitação com precisão”. Repito se é esta a resposta, tenho de concordar com o meu colega José Vicente Lopes quando afirma que “este país vem sendo governado por amadores, para não lhes chamar outro nome, sem ter que ofender a inteligência alheia”.
Mas antes de tirar conclusões, que cabem ao leitor, vejamos como funciona, melhor dizendo: deveria funcionar o sistema de Proteção Civil em Cabo Verde em casos como aconteceu esta madrugada, 11 de agosto, em São Vicente
Em Cabo Verde, o sistema de Protecção Civil é coordenado pelo Serviço Nacional de Protecção Civil (SNPC), que opera sob a alçada do Ministério da Administração Interna. Em caso de catástrofes naturais, como inundações, é o SNPC, em colaboração com o Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) e outras entidades relevantes, que devem emitir alertas à população.
**Quem emite o alerta?**
– Serviço Nacional de Protecção Civil (SNPC) – Principal responsável pela emissão de alertas.
– INMG – Fornece informações meteorológicas (como previsões de chuvas intensas) que podem justificar um alerta.
– Autoridades locais (Câmaras Municipais, Bombeiros, Polícia Nacional) – Podem auxiliar na divulgação e ativação de medidas de emergência.
Em que circunstâncias o alerta deve ser emitido?
Os alertas são emitidos quando há risco iminente ou confirmado de uma catástrofe natural, como:
– Previsão de chuvas torrenciais que possam causar inundações.
– Cheias repentinas em zonas urbanas ou ribeiras.
– Avisos meteorológicos de tempestades ou ciclones.
– Situações de emergência declaradas pelas autoridades.
O que significa o alerta?
Os alertas podem ser classificados em diferentes níveis (dependendo do sistema adoptado, que pode seguir modelos internacionais como o Alerta Vermelho/Laranja/Amarelo):
1. Alerta Preventivo (Amarelo) – Risco potencial; população deve estar atenta.
2. Alerta de Alarme (Laranja) – Perigo iminente; preparar medidas de evacuação ou protecção.
3. Alerta de Emergência (Vermelho) – Situação crítica em curso; seguir instruções das autoridades (evacuar, abrigar-se, etc.).
# Como são divulgados os alertas?
– Rádio e Televisão (RTC, etc.)
– SMS e redes sociais oficiais (SNPC, Governo)
– Sirenes (em algumas zonas de risco)
– Comunicação directa por autoridades locais (bombeiros, polícia)
O que os cidadãos devem fazer?**
– Acompanhar informações oficiais.
– Evitar zonas de risco (ribeiras, áreas baixas).
– Seguir instruções de evacuação se necessário.
– Ter um kit de emergência (água, alimentos, medicamentos).
Em resumo, o SNPC é a entidade central na emissão de alertas em Cabo Verde, em coordenação com outras instituições, e a população deve estar atenta às comunicações oficiais em situações de risco.
Como nada disso foi feito e perante a catástrofe que atingiu São Vicente levando o Governo a declarar estado de calamidade, ficamos à espera de uma resposta, no mínimo profissional: por que não foi emitido o alerta para a população? Isto quando amadores no Facebook mostravam o que ia acontecer e veio a acontecer
Eduino Santos
Com informações fornecidas pela IA