
A Direcção Nacional de Saúde (DNS) intensificou as ações de prevenção e controlo do paludismo na cidade da Praia, na sequência da confirmação de casos autóctones e reintroduzidos da doença, apesar de Cabo Verde ter sido certificado como país livre de paludismo.
A informação foi avançada pela directora nacional de Saúde, Ângela Gomes, à margem de uma formação destinada a formadores, que decorre com o apoio de especialistas da Organização Mundial da Saúde (OMS) nas áreas de epidemiologia e entomologia. A iniciativa faz parte do plano de contingência definido para este ano, com foco na vigilância ativa e na prevenção de novos surtos.
“Estamos aqui com reforços importantes, que são as consultorias da OMS, os mesmos especialistas que nos acompanharam durante o processo de certificação. Estamos a aproveitar esta vinda para capacitar formadores nas áreas críticas de prevenção da reintrodução do paludismo”, explicou a responsável.
Apesar de o país registar anualmente entre 47 e 50 casos importados — sobretudo na cidade da Praia e na ilha da Boa Vista —, a preocupação atual recai sobre os casos locais. Segundo Gomes, desde o final de 2024 e já em 2025, foram identificados casos classificados como reintroduzidos e autóctones, indicando transmissão local na capital do país.
“Este ano já registámos 30 casos, sendo a maioria importados, alguns reintroduzidos e 15 classificados como autóctonos. Felizmente, neste momento, não há casos ativos”, assegurou.
Fonton e Cobom, zonas historicamente vulneráveis, continuam a ser apontadas como focos de risco devido à presença de poços abertos e valas com lixo acumulado, que funcionam como criadouros de mosquitos. Para mitigar esses riscos, a DNS está a colaborar com a empresa Águas de Santiago (AdS), no sentido de cobrir poços e reforçar a limpeza das valas, com apoio de um fundo de emergência.
Ângela Gomes defendeu ainda a necessidade de uma regulamentação mais eficaz para a gestão dessas infraestruturas e apelou à responsabilização social e à consciência coletiva no combate ao paludismo e à prevenção de eventuais surtos de dengue.
“O nosso objetivo é evitar qualquer surto no país”, concluiu.