Projecto “1Mar d’Comunidad” visa reforçar resiliência com aposta na pesca sustentável, inclusão e economia azul

8/07/2025 19:35 - Modificado em 8/07/2025 19:51

Iniciativa integra mulheres e jovens em ações de conservação, empreendedorismo e prevenção de problemáticas sociais.

As comunidades costeiras de Cabo Verde estão no centro de um programa que visa reforçar a sustentabilidade, a resiliência e a inclusão social, através de uma abordagem integrada que alia pesca sustentável, conservação da biodiversidade e promoção do empreendedorismo com enfoque em mulheres e jovens. O projeto, concebido a partir das necessidades locais, procura dar resposta aos desafios que afetam diretamente as populações ribeirinhas e potenciar as oportunidades de desenvolvimento socioeconómico.

“A iniciativa foi desenhada considerando os desafios específicos e as lacunas de diálogo existentes com estas comunidades. Estamos a trabalhar em áreas cruciais como a pesca sustentável e a conservação da biodiversidade, dois eixos fundamentais para o presente e o futuro destas localidades”, sublinhou a representante da ONG Paz e Desenvolvimento e responsável pelo projeto “Amdjer d’Txeu Luta”, Estíbaliz Táboas.

O programa aposta ainda no fomento do empreendedorismo integrado, com especial atenção à interligação entre pesca, cultura e turismo, visando a criação de pequenos negócios com rendimentos sustentáveis. “Não se trata apenas de apoiar economicamente, mas de capacitar as comunidades para que aproveitem as suas próprias oportunidades e consigam gerar negócios resilientes e com impacto duradouro”, reforçou.

Outro pilar da intervenção passa pelo trabalho comunitário orientado para uma participação mais ativa das populações na gestão dos seus territórios e na prevenção de problemáticas sociais graves, como a violência baseada no género e a promoção do exercício pleno dos direitos humanos.

O objetivo do programa é ambicioso: promover comunidades mais sustentáveis, mais resilientes, mais inclusivas e participativas.

A iniciativa está a ter particular impacto entre as mulheres das comunidades piscatórias. Muitas peixeiras reconhecem o projeto como uma oportunidade para evidenciar a força do seu trabalho e para adquirirem mais formação e qualidade, além de estabelecerem ligações com instituições e entidades privadas. “É mais uma oportunidade que nós, peixeiras, não temos tido, e que nos permite mostrar o valor do nosso trabalho. Queremos formação, capacitação e mais ligações para melhorar a nossa atividade e participar também na sustentabilidade e preservação do ecossistema”, afirmou a vice-presidente da Associação das peixeiras de São Vicente.

O projeto também destaca o papel crescente das mulheres no setor marítimo em Cabo Verde, não só na comercialização e transformação do pescado, mas em diferentes categorias de atividades marítimas. “Cada vez mais vemos mulheres a participar na formação e a desempenhar funções essenciais no setor. É fundamental investir na sua capacitação e no acesso a instrumentos de gestão para que possam gerir os seus próprios negócios e alcançar um empoderamento efetivo”, sublinhou Eloisa Mota, vice-presidente da Associação.

No encerramento do evento de apresentação, foi reiterada a importância de criar um espaço fértil para discussão e ação em torno da economia azul e da gestão sustentável dos mares. Os organizadores apelaram à reflexão coletiva sobre as práticas atuais e destacaram a necessidade de prevenir e reduzir a poluição marinha, combater a sobrepesca com planos de gestão baseados na ciência e restaurar as unidades populacionais de espécies marinhas no menor tempo possível.

NN

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