Eleito recentemente, com mais de 90% dos votos, como presidente da União dos Sindicatos de São Vicente – USV, Tomás de Aquino, numa analise a situação laboral do país, o sindicalista diz que é preciso olhar com atenção para a situação dos trabalhadores cabo-verdianos, que labutam todos os dias e que de dia por dia, vêm diminuindo o seu poder de compra.
“Como se sabe a inflação aqui no país nos últimos 3, 4 anos, está acima dos 15% e o Governo não tem feito actualização salarial, nem para os trabalhadores que estão no ativo, nem para os pensionistas reformados, tanto do INPS como do setor público, é necessário e é preciso repor o poder de compra dos trabalhadores”, enalteceu o sindicalista.
Para Tomás de Aquino, a aprovação de alguns planos de cargos, carreiras e salários pelo Governo, não é a reposição de perda do poder de compra dos trabalhadores, e defende que é preciso trabalhar para repor o poder de compra dos trabalhadores cabo-verdianos
Em relação à segurança social, afirmou que o Governo não tomou, do ponto de vista do sindicato, as atitudes adequadas em relação à problemática dos leilões. “Tomou a decisão, sendo de anular os leilões, mas o Conselho de Administração, que tomou a decisão de fazer os leilões da forma como foram feitos, manteve-se no poder, isto não nos dá garantia, não nos dá satisfação”, sublinhou o presidente da USSV, realçando que os sindicatos não são contra os leilões.
“Entendemos que o Governo deve adotar medidas que satisfaçam, que dão respostas àquilo que é o anseio dos trabalhadores”, reforçou.
Em relação à segurança social ainda, mostra-se esperançoso nas reformas que o governo pretende fazer, e há situações, citou como exemplos, em relação à assistência médica e medicamentosa, cobertura em relação aos exames complementares do diagnóstico, consultas médicas, consultas na área da psicologia e outras áreas que não são cobertas pela segurança social ou que são cobertas de forma deficiente, que precisam efetivamente ser revistas e satisfazer assim melhor os trabalhadores nacionais.
Morosidade da justiça
O sindicalista chama a atenção para a morosidade da justiça, que diz, prejudica profundamente os trabalhadores.
“Os processos laborais são processos que deviam ser urgentes, que deviam ser resolvidos em tempo útil para resolver os problemas básicos dos trabalhadores, e isto não tem acontecido”, destacou Aquino, que alega que a falta de meios e de recursos humanos, não pode ser desculpa sempre para para justificar tais situações.
Vou-vos dar um exemplo. Tomamos conhecimento de um acordo do Supremo Tribunal de Justiça em relação a um processo laboral de um sindicato em São Nicolau, que durou 10 anos no Supremo Tribunal de Justiça, entretanto, um dos beneficiários do processo acabou por falecer antes do acordo, mas estranhamente, o acordo foi produzido em 2023 e o sindicato só foi notificado em 2025”.
Neste sentido chama reforça que é preciso ter mais seriedade na questão da justiça, principalmente a questão da justiça laboral aqui em Cabo Verde.