“Inimigo Público Número Um” – Documentário para não deixar esquecer o Massacre de Monte Tchota

9/03/2020 02:43 - Modificado em 9/03/2020 02:43

“Inimigo Público Número Um”, do realizador Mário Vaz Almeida, é um documentário cinematográfico que mostra a perspectiva das Forças Armadas em relação ao massacre de 25 de abril de 2016 em que um militar matou a tiros 11 indivíduos no destacamento militar de Monte Txota, no Concelho de São Domingos, interior de Santiago.

Saber como esta tragédia poderia ser evitada, é uma das questões que levou o realizador Mário Almeida a fazer o documentário. Para o cineasta, em Cabo Verde existe uma cultura de fazer de conta que nada aconteceu.

“Nós fazemos de conta que as coisas não acontecem, não aconteceu nada e o massacre aconteceu em outro país e não aqui”, refere Vaz Almeida, que explica que este foi um dos muitos motivos, que o levou a avançar com o projecto.

Seleccionado no quadro do primeiro edital de apoio a produção de filmes nacioanis lançado em finais de 2018, junto de outros seis filmes,“Inimigo Público Número Um” trás um olhar do realizador que diz que estão fazer trabalhos que podem incomodar, mas que têm “obrigação de fazer”, explica Mário Almeida que pretende fazer outros trabalhos de pendor mais realista e que seguem esta mesma linha. Que é ir atrás da verdade. “Essa é a nossa forma de estar no jornalismo e no cinema. Mostrar a realidade”.

Para Mário Vaz Almeida, em Cabo Verde vende-se a imagem do país compeltamente virado para o turismo, e portanto a isso, justifica-se esta ideia de que nada aconteceu.

Este ano, assinalam-se quatro anos em que o país acordou com a notícia que chocou a todos. Um militar, o soldado Manuel António Silva Ribeiro, assassinou a sangue frio 11 pessoas, sendo oito militares e três civis. Uma degolada, as outras mortas com tiros de uma espingarda automática AKM e de uma pistola Makarov.

Os corpos das 11 pessoas foram encontrados a 26 de abril no Destacamento Militar de Monte Txota, concelho de São Domingos, ilha de Santiago, mas de acordo com as primeiras informações oficiais o crime terá ocorrido na madrugada de 25 de abril.

Após os crimes e consequentes investigações, foram apresentados os resultados do inquérito sobre a morte de onze pessoas no destacamento militar de Monte Tchota e que apontaram falhas nos procedimentos de controlo do posto. Apontaram como único suspeito, o soldado Manuel António Silva Ribeiro. Quanto às motivações, o relatório concluiu, que foram pessoais. Mas não foi dado a conhecer a forma como as pessoas foram assassinadas e, em particular, como é que oito militares que dispunham de armas foram mortos sem poderem reagir.

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