Metade do petróleo angolano está sem comprador

6/03/2020 02:05 - Modificado em 6/03/2020 02:05

Crise provocada pelo surto do Covid-19 está a ter forte repercussão na procura de petróleo, levando a OPEP a reduzir os níveis de produção. Angola é dos mais países produtores africanos um dos mais afetados.

A desaceleração da economia mundial devido ao surto do Covid-19 e o impacto deste vírus na China provocou uma acentuada queda na procura de petróleo, com efeitos imediatamente visíveis nos países produtores.

Além da redução da produção para o segundo trimestre de 2020 anunciada nesta quinta-feira pela OPEP, a maioria do petróleo que devia ser vendido em abril ainda não encontrou comprador. Uma realidade que está a afetar particularmente os países exportadores de petróleo da África ocidental, entre os quais se encontra Angola, segundo produtor do continental logo atrás da Nigéria.

Segundo a agência Bloomberg, metade das exportações angolanas previstas para o próximo mês não encontraram compradores, o equivalente a 18 superpetroleiros, afirmam especialistas do mercados citados pela Bloomberg.

A isto soma-se a desaceleração das vendas previstas para março, estimando os analistas ouvidos pela Bloomberg que 17% das vendas ainda não se concretizaram. Além de Angola, a Nigéria é o outro país da África ocidental mais afetado pela quebra na procura do petróleo.

A Bloomberg antecipa uma queda de um terço na procura do petróleo da África ocidental no mês em curso, diretamente relacionado com os efeitos do surto do Covid-19 na economia chinesa.

A tendência que está a afetar Angola e restantes países da África central começou a manifestar-se em fevereiro, quando no início deste mês as refinarias chinesas começaram a reduzir o processamento de petróleo em cerca de 1,5 milhões de barris por dia.

Devido a isto, a capacidade de armazenamento nas refinarias chinesas está próxima do limite e tem forçado, desde meados de fevereiro, ao reencaminhamento de petroleiros para outros portos da Ásia, nomeadamente Coreia do Sul, Singapura e Malásia.

Redução da produção

O impacto da crise estende-se para além da China, com a retração generalizada dos mercados. Em resultado da nova conjuntura, a OPEP anunciou nesta quinta-feira um corte na produção de 1,5 milhões de barris por dia para suster a queda do preço do crude e enfrentar a redução na procura.

Para se ter uma ideia do impacto do coronavírus na economia mundial, note-se que uma análise do IHS Markit divulgada na quarta-feira, dia 4, aponta para uma retração no consumo de petróleo no primeiro trimestre de 2020 superior à verificada em idêntico período durante a crise financeira de 2008.

Ao mesmo tempo, analistas do Goldman Sachs, citados pela CNN, antecipam para o ano em curso numa retração geral na procura, corrigindo em baixa uma previsão anterior que apontava um aumento da produção na ordem dos 1,1 milhões de barris por dia.

Por Plataforma

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