Vindos do Oriente, Flores do Mindelo e Estrela-do-mar “desligam-se” da LIGOC

3/03/2020 13:32 - Modificado em 3/03/2020 13:32

Os três grupos, Vindos do Oriente, Flores do Mindelo e Estrela-do-mar, assumem que com base nas provas recolhidas sobre a actuação da Liga Independente dos Grupos do Carnaval de São Vicente, LIGOC-SV, no Carnaval 2020, em que este organismo prejudicou “sobremaneira” os grupos, consideram que “não há legitimidade em reconhecer a LIGOC-SV e que desta forma se desvinculam do organismo.

Uma decisão que, segundo os grupos, não foi tomada “de ânimo leve”, e que ainda está por decidir se vão ou não impugnar os resultados do Carnaval de São Vicente 2020. Os grupos têm a contar com o anúncio, os procedidos 22 dias para contestar os resultados, e na sequência, acusam a direcção executiva da Liga de cometer várias irregularidades à revelia do regulamento.

De relembrar que a entidade que gere o carnaval na ilha foi formada há quase dois anos, em 2018, no âmbito do workshop de carnaval de verão, na altura pelos quatro grupos oficiais, menos o Estrela-do-mar, e o Samba Tropical sob a supervisão da comitiva de Dudu Nobre e companhia.

De acordo com as juristas Eva Caldeira Marques e Dirce Vera-Cruz, foi feita uma análise ponto por ponto, de todos os dados que envolveram o processo. Desde a escolha dos jurados até ao apuramento dos resultados que deu a vitória ao grupo Monte Sossego e o vice-campeonato ao Cruzeiros do Norte.

Estas juristas citam os estatutos da LIGOC, para denunciar as irregularidades dentro do organismo como os vice-presidentes da Liga que foram nomeados sem o parecer favorável dos grupos, pelo menos dos três que ora se desvinculam, e que procuram entender o que aconteceu no processo do início ao fim, com base na documentação entregue pelos júris.

“A direcção executiva tem competência administrativa, o que se passa na LIGOC em relação aos grupos, formada por um presidente, quatro vice, um secretário e um tesoureiro” começa Dirce Vera Cruz a explicar este imbróglio que trouxe os vários problemas, que se inicia quando, os quatro vices se demitiram, mais a secretária.

Para formar esta nova direcção, numa assembleia realizada em Novembro de 2019, conforme Vera Cruz, o presidente da direcção executiva apresentou uma proposta de novos membros ao concelho deliberativo, que é um órgão composto pelos cinco presidentes dos grupos que teriam que emitir um parecer favorável, mas que os três grupos não fizeram.

Portanto denunciam que estes “três vices constam dessa direcção ilegitimamente” e de onde sai o vice que tem competência exclusiva de escolher os jurados.

“Um vice que antes de assumir este posto era membro do grupo vencedor do Carnaval 2020”, neste caso o Monte Sossego, e o mesmo que, segundo Eva Caldeira Marques, escolheu o corpo de jurados, unicamente e a revelia dos artigos 23, 24 e 25 do regulamento que exigiam a publicação até 22 de fevereiro, antes do carnaval, da lista de jurados.

E que até esta data os grupos não tiveram conhecimento de quem eram os júris nomeados e não puderam verificar a conformidade com estes artigos, que afirmam que os jurados, não podem ter nenhuma ligação com nenhum dos grupos.

Dirce Vera Cruz diz que a direcção executiva que dirigiu os trabalhos do carnaval tinha a responsabilidade exclusiva de nomeação dos júris.

E portanto, considera que é uma violação grave e “desconhecemos se esse júri é legítimo ou se tem ligações com os grupos”. Para além desta nomeação, diz que a formação dos jurados foi feita pela vice-presidência do grupo vencedor. “Foram formados, guiados e instruídos pelo vice do Monte Sossego”, e por isso, compreende-se todas as violações cometidas durante as avaliações.

Em relação a esta votação, Eva Caldeiras Marques assegura que nelas, se encontram “variadíssimas irregularidades” e várias violações em quase todos os quesitos. “Ou parece que os jurados foram mal formados, ou existe má-fé”, refere esta representante dos três grupos que agora se afastam da LIGOC-SV.

Citando, entres vários exemplos apresentados, o caso do Estrela-do-mar, que sofreu um atraso de mais de uma hora e, segundo a mesma “em nenhum momento a LIGOC veio explicar, que o atraso se deveu à sua responsabilidade pois não consegui levar um carro guincho a tempo de pôr o rei e a rainha em cima dos andores. “Penalidades severas por parte da LIGOC aos grupos e que nunca se responsabilizou” pelos seus actos, ou falta deles.

Além de outras acusações em que estes três grupos se sentem prejudicados, os mesmos fazem referência à avaliação dos jurados, nas diferentes cabines. E que resumindo, beneficiaram o Grupo Carnavalesco Monte Sossego e o Cruzeiros do Norte, prejudicando os restantes.

EC

Comente a notícia

Obrigatório

Publicidades
© 2012 - 2020: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.