Abrandamento do turismo é a principal ameaça ao crescimento de Cabo Verde

3/03/2020 02:17 - Modificado em 3/03/2020 02:17

A agência de ‘rating’ Standard & Poor’s (S&P) disse hoje que a principal ameaça ao crescimento sustentado da economia de Cabo Verde é exógena, e está relacionada com o abrandamento ou redução do número de turistas.

“Os principais riscos para o crescimento são exógenos, principalmente relacionados com um possível abrandamento na chegada de turistas”, escrevem os analistas na nota que acompanha a divulgação da manutenção do ‘rating’ em B, com Perspetiva de Evolução Estável.

No texto, a S&P aponta que o principal fator que pode afetar o crescimento de 5% previsto, em média, para os próximos anos, tem a ver com a chegada de turistas da zona euro e do Reino Unido.

“O nosso cenário-base assume que a economia da zona euro vai crescer 1,4% entre 2020 e 2022, enquanto a economia britânica vai acelerar de 1% em 2020 para uma média de 1,7% em 2021 e 2022, mas ainda pode haver um cenário diferente, envolvendo uma saída menos amigável da União Europeia por parte do Reino Unido”, apontam os analistas.

A ser assim, continuam, o desemprego no Reino Unido poderia aumentar e fazer diminuir o número de viagens internacionais feitas pelos britânicos e, por outro lado, a propagação do novo coronavírus, Covid-19, pode abrandar significativamente o turismo não só no arquipélago de Cabo Verde, mas um pouco por todo o mundo.

“Se a proibição de voos decretada a 27 de fevereiro for estendida por um período significativamente mais longo [que as três semanas previstas], ou se o Covid-19 chegar às ilhas, isto irá provavelmente ter um impacto negativo significativo na economia de Cabo Verde, para além do que antecipamos no nosso cenário base”, lê-se na nota.

O turismo vale 46% do PIB de Cabo Verde, lembra a S&P, concluindo que apesar dos esforços para atrair turistas com mais poder de compra, “os pacotes de férias para a classe média continuam a ser uma parte crítica do setor do turismo em Cabo Verde”.

Os analistas da S&P notam, ainda assim, que a economia, muito dependente do turismo, continua a ter um desempenho acima das expectativas: “O PIB real expandiu-se 6,7% no terceiro trimestre do ano passado face ao período homólogo de 2018, o que trouxe a média de 2019 para mais de 6%, apesar de o país estar no terceiro ano de seca que prejudicou muito a produção agrícola”.

A S&P decidiu manter o ‘rating’ de Cabo Verde no nível B, mantendo também a perspetiva de evolução estável para a economia e antecipando um firme crescimento económico.

“A economia de Cabo Verde tem continuado a crescer a uma ritmo rápido, graças a um aumento do setor do turismo e planos para transformar o Sal numa plataforma aeroportuária multicontinental”, escrevem os analistas da S&P.

A agência de notação financeira acrescenta que “o momento de firme crescimento económico deve manter-se, com disciplina orçamental, e com as medidas de fortalecimento das receitas a reduzirem os substanciais desequilíbrios orçamentais a médio prazo”.

Na nota que acompanha a decisão de manter o ‘rating’ do país em B, abaixo do nível de recomendação de investimento, a S&P diz que “a perspetiva de evolução estável equilibra os riscos do desempenho económico, por exemplo devido a um choque externo no setor do turismo, com o progresso estável do Governo na redução dos desequilíbrios orçamentais”.

Por Lusa

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