Covid-19: Angola decretou quarentena por “debilidade” do setor da Saúde

2/03/2020 23:59 - Modificado em 2/03/2020 23:59

O chefe da diplomacia angolana reconheceu hoje que a “debilidade” do setor da Saúde obrigou a decretar quarentena para os cidadãos provenientes de países com surto de Covid-19, apontando Angola como um país de “risco”.

© Lusa

O ministro das Relações Exteriores angolano, Manuel Augusto, disse hoje à agência Lusa, em Brasília, que a ampla cooperação do seu país com a China torna Angola num país de risco em relação a ser afetado pelo novo coronavírus.

Em relação a um comunicado que o Governo de Angola fez há dois dias, sobre a necessidade de quarentena para os cidadãos que vêm de algumas proveniências, não estamos a fazer mais do que a cumprir as orientações da Organização Mundial de Saúde. Nesse particular, Angola, pela sua ampla cooperação com a China, é um país de risco nessa matéria“, afirmou Manuel Augusto, após se reunir com o seu homólogo brasileiro, Ernesto Araújo.

“Temos uma comunidade de mais de 50 mil cidadãos chineses que trabalham em Angola, além do movimento fruto do comércio entre os dois países. Estamos a tomar medidas preventivas porque será muito mais difícil para Angola se o surto epidémico se revelar, será muito mais difícil tomar medidas curativas porque reconhecemos a debilidade do nosso setor de saúde. Portanto, se pudermos, através de medidas preventivas, evitar ao máximo o risco de contágio, será melhor para todos nós“, concluiu o governante.

Angola decretou quarentena obrigatória, a vigorar a partir de terça-feira, para todos os cidadãos que tenham estado em países com “casos autóctones” do surto de Covid-19.

Num outro despacho do Governo de Angola, cidadãos provenientes da China, Coreia do Sul, Itália, Irão, Nigéria, Egipto e Argélia estão proibidos, a partir de terça-feira, de entrar em território angolano, enquanto durar a epidemia do novo coronavírus, confirmou a Lusa junto do Ministério da Saúde.

Uma fonte do Ministério da Saúde de Angola disse hoje à Lusa que “os dois documentos são verdadeiros e autênticos”, sendo o comunicado “dirigido aos órgãos de comunicação social” enquanto o despacho ministerial visa dar orientações às instituições e entidades que trabalham nos principais pontos de entrada do país.

O despacho da ministra avisa as companhias transportadoras da obrigatoriedade de informar os viajantes, sendo responsabilizadas “pelo repatriamento imediato” dos mesmos, com os encargos inerentes, se não cumprirem as orientações.

Não foi possível esclarecer até ao momento quais os cidadãos a quem será aplicada a quarentena e quais os que serão proibidos de entrar.

O surto de Covid-19, detetado em dezembro, na China, e que pode causar infeções respiratórias como pneumonia, provocou mais de 3.000 mortos e infetou quase 90 mil pessoas em 67 países, incluindo duas em Portugal.

Das pessoas infetadas, cerca de 45 mil recuperaram. No continente africano foram identificados apenas três casos de infeções, no Egito, na Nigéria e na Argélia.

Além de 2.912 mortos na China, há registo de vítimas mortais no Irão, Itália, Coreia do Sul, Japão, França, Hong Kong, Taiwan, Austrália, Tailândia, Estados Unidos da América e Filipinas.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) declarou o surto de Covid-19 como uma emergência de saúde pública internacional e aumentou o risco para “muito elevado”.

Por Lusa

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