Jornalistas de São Vicente e fotógrafos criticam tratamento dado aos media na cobertura do Carnaval 2020

28/02/2020 02:08 - Modificado em 28/02/2020 02:08
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A comunicação social é um elemento fundamental do mundo cultural. Nesse universo, alimentado por fortes emoções e interesses dos que tentam interferir na forma como os jornalistas tratam dos assuntos, existem algumas situações consideradas inusitadas.

Este ano, como tem sido hábito, foi atribuída uma credencial ao repórter designado para a cobertura do carnaval de São Vicente. E ao longo dos últimos anos, tem-se notado uma tentativa de restringir o trabalho destes profissionais, a excepção da rádio e da televisão pública, que trabalham durante o ano inteiro a fazer a promoção do carnaval, para um público que parece ávido por elas.

Este ano, durante a atribuição da identificação, os jornalistas foram surpreendidos com a informação de que por decisão dos grupos, a comunicação social, à excepção da RTC que detinha os direitos de transmissão, não poderiam entrar no local do anúncio dos resultados. Só poderiam ter acesso, após anunciados todos os vencedores, de forma a “não atrapalharem”, os trabalhos da organização do evento.

Uma novidade, no entanto bastante contestada, uma vez que a lei de Imprensa garante o direito de acesso às fontes de informação e a eventos públicos, conforme o Estatuto do Jornalista.

Passado o desfile, chega a hora da verdade e mais uma vez os profissionais de comunicação, ficam de “quarentena” na parte traseira do palanque, para não “atrapalharem o anúncio” que iria ser feito em directo.

Não se entende, como é que profissionais que durante vários anos, têm feito o trabalho de promoção da festa do Rei Momo, embaraçam a visibilidade de quem está na frente da organização do carnaval.

No entanto, antes do desfile, realizam conferências de imprensa e eventos onde convidam esta mesma classe, para difundirem os seus trabalhos.

Para a organização, as condições de acesso da Imprensa ao recinto estão previstas no regulamento, previamente facultado aquando da passagem das credenciais. A responsável pela assessoria de imprensa explica que foi uma questão decidida por ordens “superiores”, com o objectivo de fazer uma melhor organização e que os jornalistas teriam acesso, quando fossem divulgados dos vencedores.

Mas devido à teimosia dos profissionais, lá conseguiram contornar esta situação e fazer o seu trabalho. Só assim.

 “Sempre gostei muito do carnaval. Fico feliz de poder cobrir o carnaval em todos os aspectos, mas estas condições que querem nos impor, configura-se a uma falta de respeito”, já que estar na cobertura da festa, existe um preparo.

Há que conhecer o histórico do grupo, ouvir os sambas para entrar no clima dos grupos para ver o que querem contar. Depois é feita uma pesquisa sobre os enredos, que são essenciais para entender qual é a proposta de cada carnavalesco e como eles querem contar cada uma das histórias.

E para que no final, as pessoas possam estar informados sobre o que acontece por dentro do carnaval de São Vicente.

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