Vigilantes iniciaram greve de três dias e prometem voltar à carga caso as suas revindicações não sejam atendidas

24/02/2020 15:30 - Modificado em 24/02/2020 15:30

A manhã desta segunda-feira, 24, ficou marcada pelo primeiro dia de greve dos vigilantes das empresas privadas de segurança em São Vicente, com uma concentração na Praça Dom Luiz. Um cenário que poderá se arrastar até quarta-feira, 26, caso o Governo não recorra à requisição civil. Estes vigilantes dizem-se “esgotados” pela forma como têm sido tratados ao longo dos anos.

Munidos de cartazes com mensagens endereçadas às empresas e ao Governo, estes vigilantes afectos às empresas SONASA, SILMAC e SEPRICAV, pedem a implementação do Acordo Coletivo de Trabalho, publicado em início de 2018, que estabelece uma nova grelha salarial e o descongelamento das progressões.

Para já, conforme Jorge Duarte, coordenador do SIACSA na ilha de São Vicente, isto depende de uma negociação entre as empresas e o Governo, que está ser mediada pela Associação Nacional da Empresas de Segurança Privada (ANESP), mas que não têm conseguido chegar a um “porto seguro”, para o desespero destes profissionais.

Uma demora que segundo o mesmo chegou ao limite dos vigilantes e que já não conseguem ficar quietos perante o descaso feito. Por isso, conforme assegura, a adesão nas primeiras horas estva a ser razoável, da parte dos 700 trabalhadores que a SIACSA representa em São Vicente.

“Esperamos que esta greve toque na consciência a quem de direito, porque temos vigilantes que são expostos ao sol, frio e chuva que estão a receber um salário base de 14 mil escudos em algumas empresas. O mínimo na tabela salarial que seria de 17 mil escudos até aos 22 mil escudos está aquém daquele que estão a receber neste momento” frisou à imprensa.

Conforme o coordenador da SIACSA na ilha, o momento escolhido para esta greve, que vem a calhar com o carnaval, servirá como uma “chamada de atenção” para quem representa as empresas na mesa de negociação, para terem mais iniciativa e resolverem de vez este impasse para o bem-estar dos vigilantes, porque como assegura em dois anos de luta chegou o momento de dizer “basta”.

“A nossa vontade e desejo é que sejam resolvidos o mais breve possível, e estamos convictos de que vamos ter uma resposta positiva por parte do Governo” concluiu.

Já Heidy Ganeto Andrade, delegado sindical dos vigilantes em São Vicente, avança que já estão “cansados” devido a demora em resolver esta situação que está a afectar o poder de compra destes profissionais.

“Já estamos cansados e esgotados. Já fizemos a nossa parte e esperamos como no foi requisitado. Entendemos que nas negociações está a haver um jogo de interesse da parte das empresas, porque da parte do Governo sabemos que querem resolver este impasse. O Governo nas últimas negociações apresentou um valor de 118 mil escudos para um posto de 4 homens, mas as empresas estão a exigir 156 mil escudos. Com isso o Governo subiu para 131 mil escudos, mas as empresas estão agarradas nos 156 mil escudos o que não abona em nada aos profissionais” ressalvou.

Profissionais com 20/24 anos de trabalho a receberem 15 mil escudos, sem promoção na carreira representa, segundo o mesmo, uma falta de respeito para a classe. “Todas as vezes que partimos para a greve as empresas começam com um jogo de intimidar o pessoal, e não tivemos acordo para a prestação de serviços mínimos. Temos caso de empresas que já enviaram um aviso aos seus trabalhadores a informar que estão designados para o serviço mínimo. Mas não pode ser e não temos informação disso”.Como diz, neste momento, os serviços mais afectados são o Porto Grande e o atendimento nas empresas petrolíferas. Já o Aeroporto Internacional Cesária Évora os serviços está a ser prestado de forma normal, mas que até à tarde esperam que se juntem à greve.

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