Carnaval de São Vicente: Um século da saída dos primeiros grupos organizados

13/02/2020 23:53 - Modificado em 17/02/2020 13:57
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Uma festa em que quase todos vivem um ritmo extasiante. Embora seja uma festa urbana, tem as suas raízes nos subúrbios do Mindelo. É uma festa que se realiza anualmente e que reúne a simpatia de todos os habitantes da ilha, mas não só.

Créditos: Foto Melo – S. Vicente

A tradição do Carnaval na ilha de São Vicente vem de tempos longínquos. Pensa-se que a tradição carnavalesca do Mindelo tenha as suas origens na influências do Entrudo português.

Até ao início do século XX, o Carnaval estava confinado ao Entrudo. Era tudo muito simples e sem qualquer expressividade digna de registo. Com o passar do tempo, foi evoluindo até se transformar no esplendor da atualidade. Muitos foram aqueles que contribuíram para esta evolução, segundo a revista “Nós genti”.

Alguns investigadores mindelenses apontam o ano de 1920 como aquele em que os mindelenses tiveram a ideia de se organizarem em grupos, para que a festa do Rei Momo se tornasse numa manifestação cultural jamais vista no arquipélago e que hoje já está no sangue do povo mindelense.

O grupo “Florianos” é apontado como o exemplo mais concreto da organização dos primeiros grupos. Este era composto na sua maioria por funcionários públicos, possuía orquestra própria e organizavam grandes bailes na época carnavalesca.

Falando do primeiro carro alegórico, este aparece com o grupo “Nacional”, já mais tarde, por volta de 1939, com a representação do Avião Lusitânia, aparelho com que  Gago Coutinho e Sacadura Cabral chegaram ao Brasil em 1922, depois da primeira travessia aérea do Atlântico Sul, num voo entre Lisboa e o Brasil.

Até meados do século passado, todas as pessoas participavam, com disfarces e concentravam-se na festa popular. A euforia era maior. Depois, lentamente, o Carnaval do Mindelo foi-se hierarquizando, em função das classes sociais dos seus participantes.

Os anos 40 e 50 são marcados pela numerosa presença de grupos carnavalescos em São Vicente, entre os quais se destacavam o Nhô Fula, o Lorde, Júnior, Juvenil, Pérola ou Unidos.

A festa do Rei Momo em São Vicente, teve influência de vários grupos que ao longo dos anos deram o seu inestimável contributo para o que é a versão actual do carnaval. São os casos de “Sousa Cruz” do bairro da Ribeira Bote e o “Grupo Monte dos Amores” (1936) do bairro do Monte Sossego.

Pela sua posição geográfica, São Vicente, sempre foi considerado como um ponto de encontro de culturas e por isso a sua evolução certamente muito se deve ao cruzamento de culturas que aportavam no Porto Grande e hoje transformou-se na festa da fantasia e cores que inunda as ruas de Mindelo para o mundo como um “Brasilin”, que todos conhecem.

O carnaval mindelense caracteriza-se por esta altura como um desfile de carros alegóricos, marchas, música e dança que representam muitos dos elementos que fazem parte da cultura e da história da ilha. E são nestes aspetos que a cada ano os grupos vão inovando nos seus desfiles, como forma de surpreenderem o público.

Com o passar dos anos o brilho do carnaval mindelense vai aumentando, isto pela exigência e preponderância que ganha cada vez mais em Cabo Verde e não só, onde foi recentemente eleito pela imprensa argelina como o melhor carnaval de África.

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