Operárias da fábrica A Poutada em São Vicente com pré-aviso de greve para os dias 12 e 13 de Fevereiro

5/02/2020 00:14 - Modificado em 5/02/2020 00:14
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Os trabalhadores da fábrica reivindicam, na próxima quarta e quinta-feira, segundo o Sindicato de Indústria Geral, Alimentação, Construção Civil, Agricultura, Florestas, Serviços Marítimo e Portuário (SIACSA) melhorias nas condições de higiene e segurança no trabalho. “Materiais utilizados que se revelam inadequados para o ofício que praticam. Máscaras de proteção com prazo de dois dias e que são usadas durante uma semana”, critica o coordenador do sindicato da classe na ilha.

A Poutada abriu portas em 2016 e é considerado uma referência na indústria nacional. De capital espanhol, A Poutada é uma empresa exportadora de dimensão internacional na produção e comercialização de acessórios de pesca.

No entanto, o SIACSA justifica que o pré-aviso de greve foi deliberado em resposta à má vontade da empresa em se negar, usando constantemente desculpas, a sentar à mesa e discutir alguns pontos que afectam as trabalhadoras.

“Não há abertura por parte da empresa em se encontrar com o sindicato. Desde outubro do ano passado que enviamos uma nota à empresa, solicitando um encontro e sempre mostraram-se indisponíveis para tal”, explica Jorge Duarte.

Este coordenador denuncia, ainda que no local, não existe respeito e igualdade no trabalho, entre as operárias e as chefes de produção, no que diz respeito ao horário. “Se uma operária chegar dois minutos atrasada, corre o risco de ficar na rua enquanto as chefes de produção, não”, o que no entender das funcionárias causa um clima de mau estar.

E também, conforme este sindicalista, a forma de tratamento na empresa “deixa muito a desejar”, pois assegura que “não se nutre, no seio da empresa, respeito por parte dos responsáveis. Isso tendo em conta as sucessivas denúncias que o sindicato recebe.

“Não servem refeição no local. Até aqui tudo bem, mas quando as operárias levam as suas refeições, por vezes estas estragam-se devido ao calor, visto que não existe forma de conservarem a comida. E quando isso acontece ficam sem comida, mas são proibidas de deixar o local para comprar algo para comerem e aguentarem até saírem do trabalho”.

“Recebem pelo trabalho que fazem, porque não existe subsídio de produção. No entanto, se trabalharem meio tempo e por algum motivo, não conseguirem dar por findo o dia de trabalho, como já aconteceu, com operárias a terem que abandonar o posto e ir ao hospital, devido a problemas na linha de produção, correm o risco de perderem a parte do dia que trabalharam”, o que é um absurdo, reitera.

Por esses e outros motivos, Duarte diz que foi entregue o pré-aviso de greve de dois dias de forma a pressionar direcção da empresa a avaliar a situação e a tomar uma posição.

Elvis Carvalho

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