“Forças Expedicionárias a Cabo Verde na II Guerra Mundial” uma abordagem da Segunda Guerra Mundial em Cabo Verde ilustrada por Adriano Lima

4/02/2020 01:52 - Modificado em 4/02/2020 01:52
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Foto: mindelosempre.blogspot

Uma abordagem diferente no tratamento na II Guerra Mundial em Cabo Verde, com testemunhos das mudanças vividas pelos povos das ilhas com a presença de soldados estrangeiros em território nacional, é alguns dos ingredientes retratados na obra “Forças Expedicionárias a Cabo Verde na II Guerra Mundial”, de Adriano Miranda Lima, a ser apresentada no Centro Cultural do Mindelo, no dia 06 de Fevereiro.

Conforme consta o livro “Forças Expedicionárias a Cabo Verde na II Guerra Mundial”, do coronel reformado do exército português, baseia-se entre 1941 e 1945, durante a II Guerra Mundial, onde forças militares de 5.820 homens, destacadas pela então Metrópole, desembarcaram em Cabo Verde e distribuíram-se por S. Vicente (3.015),  Sal (2.100) e S. Antão (705), para prepararem posições defensivas contra um eventual invasor.

Como diz, o livro que retrata de tudo um pouco sobre este período, aconteceu porque Portugal, embora neutro no conflito, foi pressionado pela Inglaterra e pelos EUA a reforçar a defesa das suas ilhas atlânticas (Açores, Cabo Verde e Madeira) para evitar que a Alemanha as ocupasse e tirasse proveito do seu potencial estratégico.

“Da atividade militar e seus envolventes e vicissitudes de ordem operacional e logística, mas também do alvoroço que a presença das tropas representou para a rotina e a pacatez das ilhas. A narrativa debruça-se sobre a interacção dinâmica das forças militares com as circunstâncias concretas que as envolveram no quadro da sua missão, e abre espaço, e bastante, para pôr em evidência as múltiplas situações em que os militares interagiram com as populações e a sociedade civil” enaltece.

Nisto enfatiza que há muitas histórias para contar, e algumas de grata memória para as populações, como a acção médica e o apoio sanitário que as tropas disponibilizaram para os civis, em que se destaca sobremaneira a figura grandiosa do capitão médico José Baptista de Sousa, cuja imagem ainda perdura na memória do povo de S. Vicente.

Neste livro o autor ainda debruça-se igualmente sobre o pano de fundo social em que se desenrolou a missão das Forças Expedicionárias, em que as nossas ilhas foram à época assoladas por uma seca prolongada que, agravada pelo descaso ou pela inoperância do governo central, vitimou 24.463 pessoas, sobretudo aquelas que dependiam exclusivamente da agricultura para a sua sobrevivência.

“Do lado das Forças Expedicionárias reveste significado estatístico a circunstância da morte de 68 militares, trágica ironia porque as mortes não resultaram de acções violentas ligadas à actividade militar mas de doenças infecciosas que poderiam ter sido debeladas caso a penicilina estivesse já disponível em território nacional. Nesta particularidade, o quadro de carências era comum à população civil e à militar” assegura.

Por fim, afirma que o livro de historiografia que abarca 250 páginas cruza-se com a sociologia e conta histórias reais de homens fardados e de vidas humanas.

A apresentação do livro a ter início às 18H00, no Centro Cultural do Mindelo, será feita por Ana Cordeiro e o autor será representado pelo seu primo José Carlos Soulé.

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