JMN: “Não há crise de democracia, mas há na forma de fazer política em Cabo Verde”

15/01/2020 23:41 - Modificado em 15/01/2020 23:41

O ex-primeiro-ministro, José Maria Neves, disse hoje que “não vale a pena importar discursos” sobre a crise da democracia cabo-verdiana, porque “ela não existe”, e que o que existe é uma “crise na forma de fazer política”.

Para José Maria Neves, que falava para uma plateia de alunos da Escola Secundária José Augusto Pinto, no Mindelo, a democracia cabo-verdiana está a consolidar-se, os partidos políticos estão a cumprir o seu papel pelo que não faria um discurso alarmista sobre a democracia e aos partidos políticos cabo-verdianos.

No seu entender, nesta Semana da República em que se comemora o 13 de Janeiro, Dia da Liberdade e da Democracia, e o 20 de Janeiro, Dia dos Heróis Nacionais, deve-se pensar em continuar a trabalhar para que Cabo Verde segue como uma referência nesses domínios.

“Não vale a pensa importar análises sobre crise da democracia, crise dos partidos, sobre a recessão democrática, crise do populismo. A democracia cabo-verdiana está a consolidar-se, o poder local, um pilar importante do Estado de Direito Democrático está reforçado, os partidos políticos estão a cumprir o seu papel e não há uma crise da democracia mas, alguma crise da política em Cabo Verde,” notou o ex-governante.

Segundo José Maria Neves o que precisa mudar é a forma de fazer política, de interacção com a sociedade e com os cidadãos. Também precisa ser repensado, ajuntou, os mecanismos de participação política porque os custos de participação em Cabo Verde são “extremamente elevados” que causam alguma “retracção nas pessoas.

Mas, clarificou, globalmente Cabo Verde está a cumprir em termos de Estado de Direito Democrático.

A mesma fonte defendeu, no entanto, que é preciso despertar o interesse de fazer política nos jovens. Aliás, José Maria Neves confessou que saiu surpreendido do encontro com os estudantes de José Augusto Pinto que mostraram interesse em falar da democracia, do percurso de político e do futuro de Cabo Verde.

“Se conseguirmos identificar as causas, podemos arrepiar os jovens e traze-los para a política. Nos momentos de grandes desafios os jovens estiveram na linha da frente. Conseguem mobilizar-se, entusiasmar-se e engajar-se,” explicou a mesma fonte, que citou como exemplos o momento da independência e da transição democrática.

E porque entende que agora o principal desafio é o desenvolvimento sustentável, José Maria Neves defendeu que é preciso mobilizar os jovens, perspectivando a “nobreza da política, estribada em causas” para que “o empenhamento cívico” possa revelar-se e para que possam interessar-se pela política”.

Inforpress

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